James Gunn presenteou fãs com um vislumbre do submundo do novo universo DC ao compartilhar, no Instagram, um clipe de Jason Momoa nos traços brutais do anti‑herói Lobo. Na sequência, Momoa sai da roulotte do set exibindo presas afiadas e encara a câmera com um seco “Finalmente” antes de seguir rumo às filmagens.
O pequeno vídeo — simples e eficiente como uma cena introdutória de trailer — confirma o que já circulava desde dezembro de 2024, quando a presença de Momoa no elenco foi anunciada. A imagem ressuscita para o grande público a ideia de um personagem que é, por excelência, um espelho distorcido do que entendemos por vigilante: brutal, cínico e irremediavelmente carismático.
A protagonista do longa será Milly Alcock, no papel-título, numa aposta clara do novo ciclo de reboots do DC Universe capitaneado por James Gunn e Peter Safran. Este projeto chega após o retorno triunfal com Superman (2025), que trouxe David Corenswet como o Homem de Aço e Rachel Brosnahan como Lois Lane. O lançamento de Supergirl: Woman of Tomorrow está marcado para 26 de junho de 2026.
Como analista cultural, vejo esse movimento de escala e tom como parte de um reframe maior: Gunn e Safran não apenas reescrevem personagens, eles redesenham o roteiro coletivo sobre heroísmo e masculinidade heroica. Inserir Lobo — um anti‑herói visceral e provocador — no universo que abriga Supergirl é quase um gesto semiótico, uma provocação calculada que questiona quem, afinal, merece o título de salvador em um cenário pós‑heroico.
O clipe de bastidores funciona, também, como um lembrete de que o cinema de super‑heróis, hoje, vive da tensão entre espetáculo e reflexividade. A imagem de Momoa saindo da roulotte, com presas e atitude, funciona como um óbvio plano de mise en scène: clássica composição de star power, máscara e mise en abyme — o ator encarnando o monstro que é, ao mesmo tempo, metáfora do nosso tempo.
Os fãs, claro, reagiram com expectativa nas redes. A presença de Jason Momoa tende a colorir a narrativa com uma fisicalidade que já conhecemos de seus papéis anteriores, mas agora calibrada para a figura do anti‑herói extremo. Resta aguardar como o roteiro de Supergirl: Woman of Tomorrow vai articular essa tensão entre a protagonista heroica e a presença corrosiva de Lobo.
Enquanto isso, o curto vídeo de James Gunn permanece como um trailer implícito: um convite para ler o filme não apenas como entretenimento, mas como um pequeno espelho cultural onde se refletirão perguntas sobre violência, identidade e redenção.






















