Por Marco Severini — Em mais uma noite de escalada na tensão no tabuleiro ucraniano, ataques russos atingiram setores civis e infraestruturas críticas em várias frentes. O presidente Volodymyr Zelensky informou que, além de Kyiv e da região metropolitana, as regiões de Sumy, Kharkiv e Chernihiv foram atingidas por mísseis balísticos e drones, com consequências humanitárias e logísticas imediatas.
Em Kharkiv, foram danificados um hospital de maternidade, um dormitório destinado a deslocados internos, uma faculdade de medicina e diversos prédios residenciais. Segundo o presidente, há dezenas de feridos, entre eles uma criança; há também a confirmação de uma vítima fatal. Na capital e arredores, o alvo principal dos ataques foi o setor de energia, deixando milhares de civis sem aquecimento, luz e, em alguns casos, abastecimento de água.
Em sua mensagem pública, Zelensky advertiu que ‘não podemos ignorar estes ataques; devemos reagir, e reagir com força’, apelando à resposta e ao apoio de parceiros internacionais. O presidente mencionou explicitamente sistemas de defesa como cada míssil Patriot, NASAMS e outras capacidades que contribuem para proteger infraestruturas críticas e ajudar a população a atravessar o inverno.
Nos locais atingidos, as forças de resposta civil e militar foram mobilizadas: equipes de resgate, profissionais de saúde, serviços municipais, operadores de energia e brigadas de reparo estão no terreno para minimizar danos e restabelecer serviços essenciais. Zelensky também expressou agradecimento ao pessoal de defesa aérea que trabalhou para repelir parte do ataque.
O prefeito de Kyiv, Vitali Klitschko, relatou quase 6 mil residências sem aquecimento na capital após os ataques noturnos. Grande parte dessas moradias havia sido recentemente conectada — ou estava em processo de conexão — ao sistema de aquecimento e já havia sofrido com interrupções provocadas por ataques anteriores, nos dias 9 e 13 de janeiro. Até a manhã de quarta-feira, cerca de 60% de Kyiv permanecia sem eletricidade, segundo relatos locais, e houve relatos de problemas no abastecimento de água.
Na região de Chernihiv, a empresa energética Chernihivoblenergo informou que centenas de milhares de pessoas ficaram sem energia e que as operações de restauração seguem em curso, mas podem ser prejudicadas pela situação de segurança. Trata-se de uma sequência de movimentos que visam fragilizar os alicerces da vida civil e testar a capacidade de reação ucraniana e de seus aliados.
Do ponto de vista estratégico, há uma clara intenção de atacar a infraestrutura de suporte ao inverno, um movimento que, no tabuleiro da guerra, busca pressionar tanto a resistência popular quanto a logística estatal. A resposta solicitada por Kyiv — mais sistemas de defesa aérea e assistência técnica — traduz a necessidade de reforçar posições e proteger as linhas de sustentação da sociedade civil.
Enquanto as equipes trabalham na recuperação, permanece a pergunta geopolítica: como será o próximo movimento deste jogo de poder em que cada ataque e cada peça de defesa redesenha fronteiras de influência sem alterar os mapas oficiais. A estabilidade regional depende hoje da solidez das alianças e da capacidade de transformar apoio em proteção efetiva sobre o terreno.






















