Stella Ferrari — D’Amico International Shipping (DIS), player global no transporte marítimo de produtos petrolíferos, assinou contrato com o estaleiro chinês Jiangsu New Yangzi Shipbuilding para a construção de duas novas unidades cisterna do tipo MR2, cada uma com porte bruto de cerca de 50.000 toneladas. O valor acordado é de US$45,4 milhões por unidade, totalizando US$90,8 milhões, com entregas previstas para março e junho de 2029.
O pedido contempla ainda uma opção exercitável em até dois meses para mais duas embarcações do mesmo modelo, que, se confirmadas, ampliarão o plano atual de novas construções da DIS. Esse plano já inclui quatro navios LR1 e dois MR1 em construção, elevando provisoriamente para oito o número de novas unidades previstas, com um investimento acumulado de cerca de US$412,6 milhões.
Calibragem de frota e ganhos operacionais
Atualmente, a frota da empresa é composta por 29 navios cisterna de casco duplo (MR1, MR2, Handysize e LR1), sendo 27 próprios e 2 em contrato de afretamento a casco nu, com idade média de 9,6 anos. As novas MR2 foram desenhadas para otimizar o “motor” operacional da companhia: segundo os dados técnicos, os motores principais em plena potência e no calado de projeto permitirão uma economia de aproximadamente 4 toneladas de óleo combustível por dia, equivalente a uma redução de cerca de 17% em comparação com as MR2 atualmente em serviço.
Além da eficiência de consumo, as embarcações serão preparadas para uso de metanol e certificadas para operar com biocombustíveis até B100, fortalecendo a estratégia ambiental da DIS e a conformidade com normas internacionais. As unidades também incorporarão soluções de proteção cibernética e sistemas cyber-resilientes, reflexo da prioridade dada à segurança digital numa era em que os controles embarcados são tão relevantes quanto os sistemas de propulsão.
Estratégia e posicionamento
Na visão do CEO Carlos Balestra di Mottola, o novo pedido insere-se numa estratégia mais ampla de renovação e incremento da eficiência operacional e ambiental da frota. “A substituição gradual de unidades mais antigas e o investimento em navios tecnologicamente avançados faz parte da calibragem do nosso portfólio”, afirmou Balestra, sublinhando que o objetivo é alinhar desempenho, segurança e requisitos dos afretadores às exigências regulatórias.
Do ponto de vista financeiro e de mercado, trata-se de uma peça chave na gestão de ativos: renovar com navios mais eficientes reduz custos operacionais e o risco de obsolescência regulatória — uma espécie de ajuste de marcha que melhora a aceleração da empresa frente às demandas de sustentabilidade e volatilidade do mercado.
Para editores e operadores do setor, a operação acende sinais sobre a dinâmica de encomendas em estaleiros asiáticos e a disposição de grupos europeus em investir em capacidade moderna, com foco em economia de combustível e conformidade ambiental. A opção por motores e combustíveis alternativos posiciona a DIS para responder com flexibilidade às transições energéticas do setor marítimo.
Conteúdo preparado por Stella Ferrari — economia e desenvolvimento, Espresso Italia.

















