Por Stella Ferrari, Espresso Italia
Data: 23 de janeiro de 2026
O futuro de Luigi Lovaglio à frente do Monte dei Paschi di Siena (MPS) permanece em suspenso. O Consiglio di Amministrazione optou por adiar para quarta‑feira, 28 de janeiro, a definição das regras que vão reger a composição da lista de candidatos em vista da assembleia convocada para 15 de abril.
Na reunião de quinta‑feira, 22 de janeiro, o board presidido por Nicola Maione não alcançou consenso sobre normas essenciais de governance. Com o calendário eleitoral apertado, a necessidade de clareza procedimental transformou‑se em prioridade: a lista do conselho deve ser apresentada até 5 de março, quarenta dias antes da assembleia.
O grupo de trabalho liderado por Domenico Lombardi sugeriu explicitamente manter Lovaglio afastado da fase de elaboração da lista. Essa medida não constitui, em termos formais, uma proibição à sua recondução como administrador delegado, mas na prática é lida por analistas como um gesto de contenção em relação ao atual CEO. Ao fundo, residem as tensões com o Gruppo Caltagirone, acionista acima de 10%, e os atritos que vieram à tona no verão passado.
Assessores jurídicos — entre eles Roberto Sacchi e Nicola Apa — teriam endossado a cautela de limitar o envolvimento do CEO nos diálogos com grandes investidores. A justificativa formal é a proteção da regularidade dos processos de governança diante da investigação em curso da Procura di Milano sobre a operação envolvendo a Mediobanca, que supostamente aponta para um acordo não declarado entre os sócios Delfin e Caltagirone, com implicações que puxam para perto o nome de Lovaglio.
Isolar o dirigente do contato direto com investidores estratégicos tem o objetivo claro de blindar a instituição de contestações legais e de preservar a transparência das nomeações. O clima na última sessão do conselho foi tenso e levou o presidente Maione a suspender os trabalhos para permitir uma análise mais aprofundada dos aspectos normativos.
O próximo encontro do conselho, marcado para 28 de janeiro, precede outra data crucial: 4 de fevereiro, quando os acionistas deverão votar alterações estatutárias que aguardam ainda o aval do Banco Central Europeu. Essa sequência de etapas tem retardado a máquina operacional — mas o calendário é rígido, e não admite procrastinação.
Além da definição das listas, o conselho tem pela frente a tarefa de apresentar um novo plano industrial, cujo desenho resultante da operação sobre a Mediobanca será determinante para a avaliação do mercado e para a própria continuidade de Lovaglio. Atualmente, o CEO conta com o apoio de Delfin e com sinais de simpatia de membros do governo, inclusive de figuras como o vice‑primeiro‑ministro Salvini, que já teceu comentários favoráveis.
Em termos estratégicos, a situação do MPS exige uma calibragem fina — como a afinação de um motor de alto desempenho: é preciso equilíbrio entre blindagens jurídicas, sinais aos investidores e um roteiro industrial crível. A próxima semana será o teste de bancada dessa calibragem, quando a governança terá de demonstrar robustez suficiente para acelerar o restabelecimento da confiança.
Resumo: decisão adiada para 28/01; posição de Lovaglio em avaliação; foco em regras claras de governance, impacto da investigação da Procura di Milano e necessidade de um novo plano industrial antes da assembleia de 15/04.






















