Por Chiara Lombardi — Em uma movimentação que mescla ciência, crítica e gestão financeira, foram anunciados os novos membros do Conselho de Administração dos Museus e Parques Arqueológicos de Praeneste e Gabii. A composição reforça uma estratégia híbrida: cuidar do patrimônio enquanto se pensa seu lugar na narrativa pública contemporânea.
Foram nomeados: Antonio Alfonsi, Roberto Litta, Matteo Primoli e Nicola Terrenato. Cada escolha incorpora uma competência distinta, sugerindo que a administração do parque não é apenas preservação de ruínas, mas também curadoria de memórias e gestão sustentável.
Antonio Alfonsi foi nomeado diretamente pelo Ministro da Cultura. Reconhecido por sua experiência no setor dos bens culturais, Alfonsi traz ao Cda uma sensibilidade técnica alinhada à tutela do patrimônio arqueológico romano. Sua participação deve contribuir para a definição de prioridades na valorização dos sítios, sempre com um olhar estratégico sobre conservação e fruição pública.
Roberto Litta, crítico de arte, também recebeu indicação do Ministro da Cultura. A escolha anuncia uma presença cultural mais explícita na governança: a visão crítica e curatorial de Litta pode funcionar como um espelho do tempo — ajudando a traduzir o valor histórico em propostas exibicionais e narrativas que dialoguem com públicos contemporâneos.
Matteo Primoli foi nomeado pelo Ministro da Cultura em acordo com o Ministro da Economia e das Finanças. Esta decisão conjunta evidencia a tensão sempre presente entre ambições culturais e limites orçamentários. O papel de Primoli tende a ser o de coordenador entre planejamento programático e sustentabilidade financeira, calibrando projetos para serem viáveis sem comprometer a integridade científica do local.
Por fim, Nicola Terrenato foi designado pelo Conselho Superior para os Bens Culturais e Paisagísticos — o órgão consultivo do MiC. Arqueólogo e acadêmico estadunidense de origem italiana, Terrenato é conhecido por estudos sobre a Roma antiga e os paisagens arqueológicas. Sua presença representa o aporte científico de alto nível que o Cda precisava, trazendo métodos de pesquisa e perspectivas internacionais para a governança.
Na prática, a composição do Conselho configura um pequeno painel: a técnica administrativa, a crítica cultural, o equilíbrio econômico e a excelência científica. Essa diversidade de papéis espelha o que chamo de roteiro oculto da gestão cultural contemporânea — onde cada decisão institucional reflete escolhas de memória, identidade e representações do passado.
Mais do que mera lista de nomes, as nomeações mostram que o cuidado com sítios como Praeneste e Gabii exige um projeto que transcenda a conservação física: é preciso pensar a semiótica do lugar para que ruínas se tornem pontos de encontro entre a história e as expectativas do público moderno.
Seguiremos acompanhando como essa nova equipe transformará o potencial arqueológico em programas acessíveis, pesquisa rigorosa e narrativas culturais relevantes — um verdadeiro exercício de reframe da realidade, onde o patrimônio atua como cenário de transformação social.
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