Ao término do encontro intergovernamental Itália-Alemanha, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que pediu ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que reavalie a configuração do chamado Board of Peace para Gaza. Segundo Meloni, há “problemas de caráter constitucional” na forma como a iniciativa foi estruturada, e por isso solicitou à parte americana a disponibilidade para reabrir essa configuração, a fim de acomodar as necessidades da Itália e de outros países europeus.
“Nós devemos tentar fazer esse trabalho. A presença de países como os nossos pode fazer a diferença”, declarou a premiê, destacando que o objetivo é encontrar margens para posições compartilhadas entre aliados. Afirmou também que a atuação conjunta constitui um dos alicerces para transformar crises em oportunidades e para a construção de respostas mais legítimas e eficazes.
Sobre a questão da confiabilidade do presidente americano, Meloni recordou que críticas semelhantes foram feitas anteriormente a outros líderes — incluindo Joe Biden e, em outro contexto, a ela própria, quando precisou se ausentar por motivos de saúde. “Donald Trump é o presidente eleito dos Estados Unidos. Não somos nós que escolhemos quem governa outras nações: é a democracia e são os cidadãos que decidem”, respondeu a primeira-ministra ao ser questionada.
Em tom que mesclou pragmatismo e diplomacia, Meloni acrescentou: “Espero que um dia possamos dar o Nobel da Paz ao presidente americano Donald Trump” — uma frase que sublinha a disposição de manter canais de diálogo abertos, apesar das reservas constitucionais mencionadas.
Na sua intervenção pública, a premiê enfatizou que a Europa precisa optar entre ser protagonista do seu destino ou sofrer as consequências de decisões alheias: “Serve coragem e responsabilidade. Transformar a crise em oportunidade exige uma Europa autônoma e consciente do seu papel”. Para Meloni, Itália e Alemanha detêm uma responsabilidade particular neste momento histórico, por razões de história, peso econômico e liderança.
Ao traçar o quadro da relação bilateral, a chefe do governo ressaltou que “Itália e Alemanha estão mais próximas do que nunca” e que Roma e Berlim “se movem na mesma direção” com objetivos comuns. Recordou o plano de ação assinado em Berlim há dois anos, cujo propósito era elevar a cooperação bilateral e explorar novos campos de crescimento mútuo. “É exatamente isso que fizemos nos últimos meses”, afirmou, listando múltiplos exemplos de colaboração que, segundo ela, demonstram a vontade de aprofundar a parceria.
Com o encontro de hoje, explicou Meloni, foi decidido prosseguir no caminho de reforçar a cooperação, investir com convicção e estabelecer metas ainda mais ambiciosas. A mensagem foi clara: a construção de direitos e a preservação da estabilidade regional passam também pela arquitetura das relações entre Estados aliados, e pela capacidade de erguer pontes institucionais que reduzam barreiras burocráticas.
Enquanto repórter atento à intersecção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, lembro que decisões sobre fóruns multilaterais como o Board of Peace impactam diretamente a proteção de civis, a ajuda humanitária e o respeito aos princípios constitucionais que orientam a ação dos governos europeus. Nesta fase, a Itália busca, com a Alemanha ao seu lado, moldar esse desenho institucional com a ambição de converter tensões internacionais em políticas construtivas, sem sacrificar o estado de direito.






















