Ciao, leitores — sou Erica Santini, sua alma ítalo-brasileira apaixonada pelo Bel Paese. Com o calor deste verão, a montanha virou refúgio e está vivendo um momento de ouro: um verdadeiro recorde de presenças. Os turistas, em sua maioria, correm para as localidades alpinas mais conhecidas — e, em especial, para as Dolomitas, das margens límpidas do Lago di Braies até as imponentes Tre Cime di Lavaredo.
A confirmação vem da Federalberghi, a associação dos hoteleiros vinculada à Confcommercio. O fenômeno não é restrito só ao Nordeste: o apelo das alturas se estende por todo o arco alpino — do Trentino-Alto Adige ao Friuli-Venezia Giulia, passando pela Valle d’Aosta, Lombardia, Veneto, Liguria e Piemonte. O resultado: pontos turísticos famosos se aproximam de situações de overtourism, enquanto muitas outras valles e cime continuam a oferecer segredos ainda por descobrir.
Os números em Trentino impressionam. Segundo Gianni Battaiola, presidente da Federalberghi Trentino e de Trentino Marketing, a meta é repetir os resultados do ano passado, quando a região registrou mais de 10 milhões de presenças. Do total, cerca de 6,4 milhões referem-se a estadias em hotéis e aproximadamente 3,6 milhões em estruturas extrahoteleiras, como campings e B&B. Battaiola, citando dados do Istat em entrevista à Adnkronos, nota mudanças no perfil do viajante: predominância de turistas italianos, redução dos gastos com extras e encurtamento do período de férias.
Uma curiosidade sensorial: hoje o visitante planeja a viagem como quem aguarda a janela de sol — uma meteoropatia sutil que faz com que muitos só reservem após checar as previsões. “Os turistas esperam ver as previsões e só então fecham”, diz Battaiola, que também compartilha a expectativa de alcançar o tutto esaurito para a semana de Ferragosto.
O fenômeno de superlotação se concentra em pontos icônicos — por exemplo, o movimentado Passo Sella e as trilhas em torno de Canazei. Battaiola evita o rótulo simplista de “overtourism” e prefere falar em “bad management”: má gestão dos fluxos turísticos. “Não sou a favor de fechamentos — sou hoteleiro e abro os braços ao hóspede — mas com as ferramentas que temos, inclusive a inteligência artificial, podemos monitorar e orientar melhor o fluxo nas áreas mais delicadas”.
Estratégias de gestão e de promoção também mudaram. Como Trentino Marketing, relata Battaiola, a promoção foi ajustada: a comunicação tradicional nos períodos clássicos foi reduzida, e há um convite claro para descobrir a região em primavera e outono, promovendo um turismo mais diluído e experiencial. Assim, setembro e início de outubro começam a ganhar força como estações de charme: a manutenção dos refugios abertos, atividades sensoriais — caminhar entre vinhedos, provar a gastronomia local, conhecer a viticultura e até as rotas da maçã — estão atraindo um público que quer mais do que uma foto, quer saborear a história.
O panorama também aponta para um crescimento da procura internacional por experiências alpinas fora da alta temporada, o que pode ajudar a equilibrar fluxos e a prolongar a temporada turística de forma sustentável. Em outras palavras: há calor lá fora, mas nas montanhas se encontra ar, silêncio e pequenos milagres escondidos nas vielas e nos rifugi. Andiamo — descubra as rotas menos óbvias; há sempre um cantinho com a luz dourada perfeita para o seu aperitivo e um segredo local esperando para ser saboreado.
Erica Santini — Espresso Italia






















