Por Giulliano Martini — Em apuração direta e com cruzamento de fontes, a Agcom anunciou o início de dois procedimentos administrativos contra operadores internacionais acusados de bagarinagem digital envolvendo os Jogos de Milano Cortina 2026. A ação visa interromper a comercialização irregular de ingressos e proteger tanto consumidores quanto organizadores do megaevento.
Segundo o comunicado oficial da autoridade, as investigações recaem sobre dois players de secondary ticketing de grande porte, cujos nomes não foram divulgados. A apuração aponta para a comercialização de volumes significativos de ingressos relativos a mais de cem eventos do programa olímpico, prática que, segundo a Agcom, distorce o mercado e eleva preços de forma artificial.
O movimento faz parte de uma ofensiva mais ampla contra o comércio secundário ilegal. Em termos práticos, a autoridade impondo a paralisação do circuito de revenda não autorizada busca garantir transparência e acesso equitativo aos bilhetes oficiais quando faltam apenas semanas para a abertura dos Jogos, prevista para fevereiro de 2026.
Fontes ligadas à investigação confirmam que a Agcom atua em colaboração com a Guardia di Finanza para monitorar fluxos atípicos de compra e revenda. A estratégia operacional inclui o bloqueio de transações suspeitas e a identificação de redes que utilizam mecanismos automatizados para retirar grandes quantidades de ingressos dos canais oficiais — prática que, em episódios anteriores, chegou a inflacionar preços em até dez vezes.
O histórico de repressão da autoridade é citado no relatório: em investigações passadas foram identificados 26 operadores digitais de bagarinagem responsáveis pela apropriação de cerca de 15 mil ingressos para shows de alto perfil, como os de Coldplay e Vasco Rossi, com lucros ilícitos superiores a 2 milhões de euros. Naqueles casos, os investigados conseguiram contornar medidas de segurança adotadas por órgãos fiscais, fato que reforça o caráter sistêmico do problema.
Os procedimentos abertos agora se apoiam também na legislação vigente — em especial nas normas introduzidas pela lei de balanço de 2017 — que regulam e criminalizam formas de secondary ticketing não autorizadas. Para a Agcom, a atuação preventiva é essencial para assegurar que milhões de torcedores italianos e estrangeiros tenham acesso justo aos ingressos de um evento de dimensão olímpica.
Em linhas práticas, a investigação pode resultar em ordens de cessação de atividade, multas administrativas e bloqueios de anúncios em plataformas digitais. A autoridade promete continuidade nas operações de vigilância e reafirma o compromisso com a proteção do consumidor e a integridade do mercado de ingressos.
Relatório final e eventuais medidas punitivas serão comunicados após o aprofundamento das apurações. A reportagem manteve contato com representantes da Agcom e com fontes na Guardia di Finanza para confirmar o andamento dos inquéritos e continuará o acompanhamento in loco para atualizar os fatos assim que novas peças processuais se tornarem públicas.






















