Por Stella Ferrari — As praças financeiras europeias mantêm-se, em sua maioria, em terreno negativo após a divulgação dos indicadores de atividade no conjunto da zona do euro. O índice PMI da Europa fechou janeiro em 51,5, estável em relação a dezembro, porém abaixo das previsões dos analistas — um sinal de que a recuperação segue com uma calibragem mais lenta do que o mercado havia precificado.
Entre os mercados, apenas Londres opera acima da paridade; já Milão acusa uma queda próxima de 0,8%. No pregão italiano, observou‑se uma reação de preço em papéis que sofreram ajuste na sessão anterior: os títulos da Leonardo e da Fincantieri exibem recuperação, enquanto a Monte dei Paschi recua após deliberações do conselho de administração.
Paralelamente, os fluxos se deslocam para ativos considerados refúgio: os metais preciosos continuam em forte ascensão, refletindo apreensões sobre o quadro geopolítico. O ouro aproxima‑se da marca simbólica de 5.000 dólares por onça, e a prata atingiu novos máximos históricos, rondando os 100 dólares por onça — um patamar aproximadamente três vezes superior ao observado há um ano.
No exterior, os futuros de Wall Street sinalizam abertura em queda. Em pré‑market, as ações da Intel despencaram após a divulgação de previsões de receitas e lucros abaixo do consenso; a expectativa de que os lançamentos recentes impulsionassem a linha de resultados não se concretizou na magnitude esperada pelos analistas.
Como estrategista, vejo essa movimentação como a consequência de uma combinação entre um motor econômico que ainda não atingiu sua marcha plena e uma redistribuição de risco por parte dos investidores. O PMI em 51,5 confirma expansão, mas não com a força necessária para dispensar a prudência: as políticas macroeconômicas seguem em processo de calibragem — juros, estímulos e ajustes fiscais atuando como embreagem e acelerador simultaneamente.
Do ponto de vista de portfólio, o avanço do ouro e da prata funciona como um sinal de alerta. A busca por proteção tem intensidade crescente, indicando que, no curto prazo, a volatilidade pode permanecer elevada. Para as ações industriais e de defesa, como Leonardo e Fincantieri, as reações de preço são em parte correções técnicas que recuperam valor após vendas excessivas — movimentos que convém acompanhar com disciplina, avaliando fundamentos e contratos em carteira.
Finalmente, a fraqueza esperada nos resultados da Intel reforça o risco de revisão das expectativas para o setor tecnológico e sua capacidade de servir como motor de crescimento global. Em suma: o mercado está em busca do ponto ótimo entre risco e rendimento; cabe ao investidor institucional e ao gestor calibrar exposição com a mesma precisão que um engenheiro ajusta tolerâncias em um motor de alta performance.
Nota: A leitura dos indicadores nas próximas sessões será determinante para avaliar se estamos diante de flutuações temporárias ou de um novo patamar de aversão ao risco.






















