Em um encontro intergovernativo realizado em Roma, a primeira-ministra Giorgia Meloni recebeu na Villa Doria Pamphilj o chanceler alemão Friedrich Merz, em uma cúpula que confirma a intenção de consolidar a parceria estratégica entre Itália e Alemanha. Participam do encontro onze ministros da delegação italiana e dez da delegação alemã, em um formato que combina negociações bilaterais e uma sessão plenária de trabalho.
Após o bilaterial entre os dois líderes, está prevista a troca de acordos governamentais e a assinatura de um protocolo para um plano de ação de cooperação estratégica reforçada. Entre os documentos em pauta estão um acordo em matéria de segurança, defesa e resiliência e um texto conjunto sobre competitividade que será remetido à Comissão Europeia antes da reunião informal sobre competitividade marcada para 12 de fevereiro.
Na sequência, a agenda inclui uma sessão plenária com uma colazione di lavoro e as declarações à imprensa de Meloni e Merz. Do ponto de vista da arquitetura das relações internacionais, o encontro busca lançar alicerces duradouros para a coordenação entre duas das principais economias europeias — uma espécie de ponte entre nações para enfrentar choques globais e desafios industriais.
Questionada por um jornalista sobre as especulações em torno do estado de saúde do presidente eleito dos Estados Unidos e se isso poderia representar um problema de segurança mundial, a premiê Giorgia Meloni respondeu com firmeza institucional: “Não me parece um modo sério de encarar a política internacional. Trump é o presidente eleito dos Estados Unidos; discursos iguais ouvi sobre Biden e até sobre mim, quando precisei me ausentar cinco dias por motivo de saúde. É preciso contar com a democracia”.
Meloni acrescentou que os interlocutores são “os líderes eleitos pelos cidadãos”, lembrando que não compete a outras nações escolher quem governa. Ao seu lado, o chanceler Friedrich Merz sorriu e observou que não poderia ter respondido melhor.
Ao abordar o papel da Europa, a primeira-ministra fez um apelo claro: “A Europa deve escolher se quer ser protagonista do seu destino ou se limitar a subi-lo: isso exige lucidez, responsabilidade e coragem”. No tema das alianças estratégicas, ela foi direta ao rejeitar leituras simplistas sobre rivalidades pessoais ou substituições de papéis entre líderes europeus. Indagada se poderia tornar-se a primeira parceira do chanceler Merz em substituição a Emmanuel Macron, Meloni respondeu que não interpreta a política como uma corrida para ocupar posições: “A Itália representa uma nação fundamental na Europa; está demonstrando estabilidade, força e concretude no tabuleiro internacional. Nosso objetivo é promover o diálogo entre as grandes nações, não substituir ninguém”.
“Não estamos em um momento histórico que permita infantilismos na leitura da política externa”, afirmou Meloni, completando que a fase atual é delicada e complexa e exige respostas sérias e profundas, não simplificações. O tom da premiê buscou, assim, reforçar a ideia de responsabilidade institucional como alicerce para decisões que afetam cidadãos, imigrantes e comunidades ítalo-descendentes.
Do lado alemão, Merz reforçou a sintonia com as posições expressas pela italiana e destacou a importância de cooperação concreta em defesa, segurança e competitividade industrial — áreas que, segundo o chanceler, exigem ação coordenada para proteger as economias e a energia estratégica da Europa.
O encontro em Roma funciona, portanto, como um passo prático na construção de uma agenda bilateral robusta: troca de acordos, protocolos de cooperação e um documento conjunto que seguirá para Bruxelas, visando moldar as políticas que definirão os próximos meses. Em linguagem de cidadania: trata-se de colocar os pilares de uma estrutura comum que preserve segurança, emprego e competitividade para os cidadãos europeus.
Ao final da sessão, representantes de ambos os governos participaram de um café de trabalho e concederam declarações à imprensa, sinalizando que os próximos passos serão monitorados com atenção por quem vive o impacto direto dessas decisões — empresas, trabalhadores e famílias que dependem da estabilidade política e econômica da Europa.






















