Laura D’Ambrosio foi indicada pelo Ministério da Cultura, liderado por Alessandro Giuli, como uma das novas integrantes do conselho de administração da Direzione Regionale Musei Nazionali Abruzzo. Junto a ela foram nomeados Giorgio Fraccastoro, Michele Martinelli e Marco Giglio. A decisão, porém, não correu sem polêmica: a escolha de Laura D’Ambrosio suscitou críticas públicas de figuras do Partido Democrático, que a interpretam como um episódio de forte politicização das instituições culturais.
O deputado do PD Luciano D’Alfonso reagiu com veemência. Em nota, classificou a nomeação como “uma recompensa política” e apontou para dois elementos que, segundo ele, tornam a escolha particularmente controversa: a recente candidatura de D’Ambrosio nas listas do partido Fratelli d’Italia nas últimas eleições regionais e um episódio anterior ocorrido quando ela era dirigente de um instituto escolar em Nereto, na província de Teramo, durante o qual alunos foram levados a cantar o hino fascista Faccetta nera.
Para D’Alfonso, tais indicações não são fatos isolados, mas parte de “um sistema di potere” que o deputado atribui ao presidente regional Marco Marsilio. “Com qual critério o ministro continua a permitir a ocupação das instituições culturais com esponentes do próprio partido, transformando cargos de prestígio em estacionamentos para candidatos rejeitados e figuras ideologicamente marcadas e discutíveis?”, questionou. A crítica insere-se num cenário mais amplo: exatamente no ano em que L’Aquila é celebrada como Capital Italiana da Cultura, decisões desse tipo, na visão do parlamentar, ferem a exigência de competência e autonomia exigida para honrar essa ocasião.
O conselheiro regional do PD, Pierpaolo Pietrucci, ecoou a denúncia, descrevendo a nomeação como uma “ricompensa politica” e recordando a participação de D’Ambrosio nas eleições regionais vencidas pela administração de Marsilio. A oposição teme que escolhas assim enfraqueçam a credibilidade de instituições culturais locais e nacionais, especialmente num momento em que a cultura deveria servir como espelho crítico do tempo e não como abrigo para nostalgias políticas.
Do ponto de vista simbólico, a controvérsia toca em duas narrativas que a Itália moderna procura deixar para trás: a instrumentalização da cultura para fins partidarizados e a persistência de referências ideológicas que muitos consideram incompatíveis com a memória democrática do país. É um pequeno, porém eloquente, reframe dramático — quando cargos administrativos se tornam o ponto de encontro entre carreiras políticas e lembranças históricas incômodas.
Num país onde memória e patrimônio frequentemente se cruzam com política, a nomeação de membros para órgãos ligados a museus nacionais não é apenas uma operação administrativa; é um gesto performativo que comunica valores sobre quem somos como sociedade. Assim, as vozes críticas pedem não só explicações, mas critérios claros de nomeação que preservem a autonomia cultural e a integridade do patrimônio público.
Enquanto o debate se desenrola, resta observar como o Ministero della Cultura e a Direzione Regionale reagirão às contestações, e se haverá um reposicionamento que privilegie expertise e independência em nomeações futuras. A história das instituições culturais italianas é também a história de suas escolhas curatoriais e administrativas — e cada decisão reverbera no eco cultural do país.
Chiara Lombardi – Espresso Italia





















