Por Giuseppe Borgo — A mais recente sondagem realizada pela Youtrend para o Sky Tg24 indica que o sim lidera a intenção de voto no referendo sobre a reforma da justiça, marcado para os dias 22 e 23 de março de 2026. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados declararam voto a favor, enquanto 45% optaram pelo não. A estimativa de comparecimento (turnout) é de 62%.
Trata-se de um pleito que atua sobre alicerces institucionais sensíveis: a arquitetura das normas judiciais tem impacto direto na vida cotidiana de cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes — a construção de direitos e as possíveis mudanças processuais influenciam desde prazos e competências até o peso da caneta no dia a dia dos tribunais.
O levantamento revela ainda uma divisão partidária clara. Entre eleitores do centro-direita, o sim alcança 96% (com 4% de não), enquanto entre eleitores de oposição o não domina com 88% (e o sim apenas 12%). Esses números mostram que, apesar da maioria de resposta favorável em termos gerais, o voto segue fortemente alinhado com identidades políticas, criando pontes e fissuras na sociedade.
Interessante notar que, na amostra total, a maioria absoluta (59%) afirma que, na escolha sobre o que votar, pesam mais motivações técnicas, relacionadas ao mérito da reforma. Apenas uma minoria (27%) diz que prevalecem motivações políticas, ligadas ao julgamento do governo chefiado pela primeira-ministra Giorgia Meloni. Esses resultados apontam que muitos eleitores tentam avaliar o conteúdo jurídico da proposta, não apenas o saldo político do executivo — um sinal de que a cidadania busca compreender a obra, e não apenas a fachada.
Ao contrário dos referendos abrogativos, este plebiscito não exige quorum para ser válido, o que altera a dinâmica estratégica das campanhas: a batalha deixa de ser apenas sobre mobilizar indecisos e passa a ser também sobre consolidar núcleos de apoio já mobilizados. Em termos práticos, significa que o resultado será tomado independentemente do nível de comparecimento, tornando ainda mais decisiva a conversão de intenções em votos efetivos nos dias de votação.
Como correspondente atento à interseção entre Roma e a vida real, observo que a discussão pública precisa atravessar jargões e chegar aos cidadãos com clareza — derrubar barreiras burocráticas no debate é tão essencial quanto derrubar obstáculos jurídicos na lei. O resultado deste referendo terá efeitos concretos sobre o sistema judiciário e sobre a confiança nas instituições, e deve ser acompanhado não apenas como um marcador político, mas como uma peça na construção contínua dos direitos civis e processuais.
Nos próximos meses, será crucial acompanhar como as campanhas vão explorar o viés técnico apontado pela maioria dos entrevistados e como os partidos manterão coesa a sua base de eleitores. Para eleitorado, imprensa e operadores jurídicos, a pergunta é clara: a reforma modifica os fundamentos do sistema de justiça e, sobretudo, para quem essa mudança pesa mais no cotidiano?






















