Por Chiara Lombardi — A última reviravolta na saga Beckham mistura estratégia empresarial e família como espelho do nosso tempo. Segundo documentos e reportagens britânicas, Victoria Beckham registrou e renovou o direito sobre o nome do primogênito Brooklyn — assim como dos outros três filhos — com validade no Reino Unido e na Europa até dezembro de 2026. Na prática, isso significa que o próprio Brooklyn não teria liberdade plena para explorar comercialmente o seu nome em produtos e merchandising.
O episódio ganha contornos de disputa íntima porque, em uma postagem longa no Instagram, Brooklyn afirmou que, às vésperas do casamento com a atriz e herdeira Nicola Peltz, Sir David Beckham e Lady Victoria Beckham teriam tentado convencê‑lo a ceder o controle do seu nome ao casal — proposta que ele rejeitou. Desde então, as comunicações entre as partes estariam sendo mediadas por advogados, indicando um distanciamento que se transformou em isolamento familiar.
Fontes próximas à família, repercutidas pela imprensa, descrevem uma preocupação dos pais com a relação de Brooklyn com Nicola Peltz. Segundo esses relatos, o jovem teria mostrado uma devoção intensa à esposa — tatuagens dedicadas a ela, insinuações públicas de admiração e até pedidos de aniversário que ilustrariam uma afeição quase infantil, como uma festa temática e um bolo com uma bailarina de tutu rosa para os 30 anos. Para os tablóides, isso configura um controle afetivo que inquieta os pais.
Do ponto de vista cultural, há algo de emblemático nesse conflito: uma família que transformou sua própria história em marca busca proteger legalmente cada traço de sua identidade pública. A trajetória dos Beckham sempre foi mediada pela mídia — desde a venda da primeira gravidez à revista OK até a cobertura do nascimento na Hello — e essa mercantilização da intimidade remete ao roteiro oculto da celebridade moderna, onde a identidade é simultaneamente bem emocional e ativo empresarial. Para Brooklyn, a limitação sobre o uso do seu nome pode ser tanto um entrave prático quanto um sintoma do descompasso entre autonomia pessoal e legado familiar.
Resta em aberto se haverá reconciliação. A questão não é apenas legal: é narrativa. Conseguirão os Beckham ressignificar o seu enredo coletivo, permitindo que as individualidades — incluindo a de Brooklyn e de Nicola Peltz — escrevam capítulos próprios? Ou o eco cultural do sobrenome continuará a imperar, ditando termos e limitando vozes?
Enquanto isso, o contrato vigente até dezembro de 2026 mantém a disputa em terreno jurídico e simbólico. É um lembrete de que, no grande palco das celebridades, as disputas íntimas frequentemente retornam como questões públicas e comerciais — uma espécie de semiótica do viral onde afecto e imagem se confundem.
Publicado em 22 de janeiro de 2026.






















