Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O tenista Novak Djokovic revelou publicamente o hábito de abraçar árvores — em particular uma figueira brasileira nos jardins botânicos — descrevendo o gesto quase como uma “medicina” pessoal. À primeira vista pode soar como um ritual inusitado. Porém, os fatos brutos levantados por pesquisas científicas recentes mostram que o contato direto com as plantas, inclusive o toque físico nas árvores, tem efeitos fisiológicos mensuráveis. Essa prática é hoje estudada sob o rótulo de silvoterapia.
O trabalho de Kathy Willis, professora de Biodiversidade na Universidade de Oxford e autora de “Good-Natured: Why Seeing Green is Good for Us”, compila décadas de estudos internacionais indicando que a interação tátil e a imersão no verde ativam respostas protetoras ao sistema cardiovascular e ao sistema imunológico. Willis organiza evidências que incluem as pesquisas de Qing Li, da Nippon Medical School, sobre os chamados “banhos de floresta” (Shinrin-yoku).
Uma das explicações químicas é a exposição a fitoncídeos, compostos orgânicos voláteis produzidos pelas plantas para sua defesa. A inalação desses compostos foi associada ao aumento de produção de células Natural Killer (NK), elementos centrais na resposta imune contra vírus e células tumorais.
Os benefícios, porém, não se limitam à química. Estudos que monitoraram condutância cutânea e pressão arterial apontam que tocar a corteça ou superfícies de madeira natural reduz de forma imediata os níveis de cortisol, o chamado hormônio do estresse. Paralelamente, a observação das formas repetitivas da natureza — os fractals —, pesquisa entre outros pelo físico Richard Taylor, está associada à geração de ondas alfa no cérebro, indicadoras de relaxamento profundo e estados meditativos.
Importante ressaltar que os dados não exigem uma floresta remota. Willis e outros autores destacam que o verde urbano oferece efeitos terapêuticos significativos. A Teoria do Ripristino da Atenção (ART), de Rachel e Stephen Kaplan, mostra que apenas 20 minutos de exposição a um ambiente botânico são suficientes para recuperar funções cognitivas fatigadas pelo estresse digital e pela sobrecarga atencional.
Do ponto de vista de saúde pública e urbanismo, esses achados abrem possibilidades práticas: a inserção e a manutenção de áreas verdes nas cidades podem representar uma ferramenta acessível e de baixo custo para promoção do bem-estar coletivo. No entanto, a tradução desses resultados em políticas exige critérios técnicos, monitoramento e programas baseados em evidências.
Em síntese, o gesto de Djokovic — abraçar uma figueira nos jardins botânicos — encontra respaldo em um corpo crescente de estudos que reconhecem o impacto fisiológico e psicológico do contato com as plantas. Mais do que anedota de celebridade, trata-se de um ponto de partida para debates concretos sobre como integrar a natureza à vida urbana em benefício da saúde.






















