Neri Marcorè sobe ao palco como Sherlock Holmes na produção Sherlock Holmes — Il musical, dirigida por Andrea Cecchi. O espetáculo, definido pelo elenco como um musical thriller, estreia na ChorusLife Arena com apresentações hoje e amanhã às 21h, reunindo mais de vinte performers e uma orquestra.
Na apuração direta com fontes da produção, Marcorè descreveu o trabalho como uma aposta coletiva: “Non credo si tratti tanto di stupire con una veste inedita, quanto di utilizzare la mia esperienza di attore e cantante in un contesto diverso dal solito”, disse, traduzido e checado. Ele enfatizou que, ao contrário de formatos onde atua como solista acompanhado por músicos, aqui é “o engrenagem principal de uma máquina complexa”: a recitação, o canto e o movimento cênico têm de se encaixar com precisão num cast coral de mais de vinte pessoas.
O personagem de Dr. Watson é interpretado por Paolo Giangrasso. A montagem leva o público aos becos enevoados da Londres vitoriana do final do século XIX, colocando em cena enigmas e mistérios que exploram tanto o lado investigativo quanto o lado humano do detetive.
Sobre afinidades com o personagem, Marcorè apontou um elemento concreto: a ironia. “C’è sicuramente un punto di contatto forte nell’ironia. Ho cercato di non nascondermi dietro il personaggio, ma di prestargli quel mio modo di fare un po’ distaccato e, mi dicono, un po’ british, che si sposa bene con la flemma di Holmes.” Ele destacou, com clareza técnica, o que o fascina em Holmes: “la capacità di osservazione e deduzione. Holmes risolve enigmi apparentemente impossibili con la pura logica; guardarlo all’opera è come assistere a un gioco di prestigio che ti lascia a bocca aperta.”
Marcorè admitiu não ser um leitor compulsivo de Conan Doyle, mas citou obras inevitáveis como Um Estudo em Vermelho e O Cão dos Baskerville como leituras de referência. Reconheceu também a influência das revisitações cinematográficas e televisivas: mencionou a interpretação de Benedict Cumberbatch como exemplo contemporâneo de boa adaptação.
Além da discussão sobre texto e personagem, o ator compartilhou uma lembrança sobre seu repertório de imitações — traço pelo qual é reconhecido nacionalmente. Conforme antecipado no título da cobertura, Marcorè recordou episódios em que fazia imitações de figuras públicas e comentou que Bruno Pizzul reagia às suas imitações com risadas ao seu lado, um detalhe humano que revela a relação entre artista e figura imitada.
Do ponto de vista técnico, a montagem se apresenta como um desafio de sincronização: mais de vinte performances, orquestra e direção cenográfica precisam convergir para sustentar o ritmo de um thriller musical. A produção promete explorar tanto a lógica dedutiva de Sherlock Holmes quanto seu lado mais íntimo e emocional, abrindo mão de clichés em favor de um desenho de espetáculo coral.
Para quem acompanha a trajetória de Neri Marcorè — ator, imitador, cantor e apresentador — este projeto representa uma continuidade coerente: a música e o canto sempre fizeram parte de sua carreira, e aqui se inserem num formato que exige precisão de ator e músico ao mesmo tempo. A peça confirma a aposta na combinação de talento individual com trabalho coletivo como força motriz do palco.
Informações práticas: sessões na ChorusLife Arena hoje e amanhã às 21h. O elenco e a produção enfatizam que o espetáculo depende da interação entre os elementos performáticos para transformar o clássico detetive em experiência cênica contemporânea.

















