Por Chiara Lombardi — O Museu Egípcio de Tahrir, guardião da memória faraônica no coração do Cairo, volta a narrar ao público o roteiro oculto da história. Em entrevista ao Il Giornale d’Italia, o professor Ali Abdel Halim Ali, diretor do museu, traçou um panorama que mistura conservação centenária e um reframe digital: atualmente cerca de 120.000 artefatos estão catalogados, dos quais aproximadamente 45.000 artefatos estão expostos ao público — um verdadeiro acervo que funciona como espelho do nosso tempo, refletindo o entrelaçamento entre passado e presente.
Fundado em 1902 pelo khediva Abbas Helmy II, o museu é, nas palavras do próprio diretor, a ‘mãe de todos os museus em Egito’. Essa afirmação não é apenas retórica: muitas coleções dos museus regionais e de novos acervos egípcios originaram-se ou foram complementadas pelo que guarda o Tahrir. A instituição, a mais antiga do Médio Oriente em sua categoria, permanece o centro nevrálgico da museologia egípcia.
Peças que dialogam com o público
Os visitantes se maravilham com joias que têm a força de um roteiro cinematográfico. Entre os destaques citados pelo diretor estão os corredi funerários de Yuya e Thuya, os tesouros de Psusennes I e, sobretudo, o Tesouro de Tanis — montagens de ouro, máscaras e peças que rivalizam com as de Tutankhamon e que sublinham o papel do museu como guardião do patrimônio mais extraordinário do país.
Parcerias com a Itália e projetos recentes
O diálogo com a Itália é antigo e multifacetado: fotografia, conservação e arqueologia. Entre as iniciativas recentes, o diretor destacou a Experiência Virtual do Patrimônio de 2023, desenvolvida em parceria com a Embaixada Italiana, que abriu novas vias de fruição do acervo por meios digitais. Do mesmo modo, o ambicioso projeto Transforming the Egyptian Museum (2018-2023), financiado pela União Europeia em colaboração com o Museo Egizio de Turim e instituições europeias, modernizou exposições e serviços, reconfigurando o museu como um dispositivo cultural híbrido.
Em 2025, a colaboração cultural com a Itália continuou intensa: uma mostra de fotografia realizada com o Centro Archeologico Italiano e o Instituto Italiano de Cultura (agosto), o projeto Soknopaiou Nesos com as universidades de Salento e Palermo (outubro) e a exposição sobre a Tumba de Nefertari (novembro), fruto de esforços conjuntos de conservação.
O futuro: reestruturação e digitalização
O professor Ali anunciou que, durante a reestruturação prevista, o museu trabalhará para ampliar a acessibilidade e a experiência do visitante. Para 2026, a prioridade será investir em projetos digitais que ampliem a presença do Museu Egípcio de Tahrir no cenário global — não como mera vitrine, mas como um estúdio de narrativa cultural onde cada peça funciona como cena de um filme mais vasto sobre identidade e memória.
Mais do que conservação, trata-se de traduzir o acervo para linguagens contemporâneas: modelos 3D, exposições virtuais e programas educativos que conectem o público local e internacional. O Tahrir, assim, reafirma seu papel de espelho e farol — guardando o passado, enquanto reimagina como contá-lo no palco digital do presente.






















