Por Giulliano Martini – Apuração direta e cruzamento de fontes. Por trás dos números e das estatísticas que marcaram uma das tragédias mais graves da virada do ano, há rostos, memórias e marcas físicas. A jovem Eleonora Palmieri, 29 anos, divulgou nas redes sociais imagens das suas cicatrizes resultantes do incêndio ocorrido na noite de Capodanno no estabelecimento Le Constellation, em Crans-Montana, Suíça.
O material publicado por Eleonora Palmieri combina imagens de momentos anteriores ao incêndio com registros do período em terapia intensiva. As marcas no rosto e no corpo deixam de ser apenas vestígios do fogo para se converterem, nas palavras da própria sobrevivente, em prova de um “milagre”.
No vídeo ela dirige agradecimentos diretos: “Por trás de cada artigo e de cada manchete, existiu vida real. Vida marcada pelo medo, mas sobretudo pela coragem e pela força para seguir em frente. Quero agradecer a quem nunca deixou a minha mão: à minha família e ao meu namorado, que ficou ao meu lado também naquele quarto de hospital”. O relato termina com uma homenagem comedida às vítimas: “Um pensamento vai aos anjos que não sobreviveram. Não deixem de honrar a vida”.
Dados verificados apontam que mais de quarenta pessoas morreram naquela noite. Eleonora é natural de San Giovanni in Marignano, província de Rimini, e trabalha como veterinária. A viagem que seria uma comemoração transformou-se em pesadelo quando velas pirotécnicas utilizadas no interior do local provocaram chamas que atingiram o teto, iniciando a propagação rápida do incêndio.
Em relatos confirmados por testemunhas e registros hospitalares, o papel do namorado, identificado como Filippo, foi decisivo. Em meio à fumaça densa e à fuga generalizada, ele localizou Eleonora, retirou-a do local e a conduziu até o hospital de Sion. Posteriormente ela foi transferida para o hospital Niguarda, em Milão, onde deu sequência a um longo tratamento e às intervenções médicas necessárias.
Esta reportagem mantém a hierarquia dos fatos: sequência cronológica do incidente, condição clínica conhecida publicamente, deslocamentos hospitalares e depoimento pessoal da vítima por meio das redes sociais. Não há espaço para especulação: a origem das chamas foi atribuída às velas pirotécnicas usadas no interior do estabelecimento e o número de mortos permanece confirmado pelas autoridades suíças.
O registro de Eleonora Palmieri tem valor jornalístico e social. Trata-se de documentação direta do impacto humano do sinistro, que auxilia no entendimento da dimensão da tragédia e na humanização das estatísticas. Seguiremos acompanhando a evolução clínica e judicial do caso, com apuração in loco e cruzamento de fontes hospitalares e policiais.





















