Por Marco Severini — Em mais um movimento calculado no tabuleiro público, Donald Trump ampliou sua ofensiva legal e midiática: além de adicionar ao processo já em curso uma recente pesquisa do New York Times, o ex-presidente e atual chefe do Executivo americano anunciou também uma ação bilionária contra o grupo financeiro JPMorgan.
No post publicado na sua plataforma Truth, Trump afirmou ter “adicionado” o último levantamento do New York Times à ação judicial que move contra o jornal, acusando a publicação de produzir sondagens sistematicamente negativas e “falsas”. A pesquisa New York Times/Siena, divulgada após o primeiro ano do novo mandato, mostrava que 49% dos entrevistados consideravam que o país havia piorado, enquanto 32% o avaliavam como melhor e 19% não percebiam mudanças substanciais. O presidente chegou a qualificar estes levantamentos como “atos criminosos”.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento duplo: desgastar a credibilidade das grandes mídias e, ao mesmo tempo, inserir novos elementos probatórios na controvérsia jurídica existente — um tipo de jogo posicional que busca redesenhar as percepções públicas e os alicerces da narrativa adversária.
Paralelamente, a nova ação contra o banco JPMorgan foi protocolada em Miami e pede a cifra de US$5 bilhões. A peça acusa a instituição e seu CEO de difamação comercial e de violação do pacto implícito de boa-fé e correção, sob a alegação de que o banco teria negado serviços bancários a Trump por razões políticas. A ação foi assinada pelo advogado Alejandro Brito, que representa o presidente e várias de suas empresas do setor hoteleiro.
Segundo relato da Fox News, a petição invoca o código de conduta do próprio JPMorgan, que afirma operar “com o mais alto nível de integridade e conduta ética”. Em resposta, um porta-voz do banco disse à Fox News Digital que lamenta a ação, acredita que ela seja sem fundamento e que respeita tanto o direito do presidente de processar quanto seu próprio direito de se defender nos tribunais.
Como analista das dinâmicas de poder, observo que este é um movimento multifacetado: por um lado, tenta-se neutralizar o que se percebe como um eixo de influência midiática adversário; por outro, procura-se punir economicamente instituições que, hipoteticamente, teriam optado por algum tipo de distanciamento financeiro. É um embate que mistura litígio, guerra de reputação e desenho de influência — uma autenticada tectônica de poder que redesenha fronteiras invisíveis entre imprensa, capital e poder político.
Em termos práticos, os desfechos dependerão de provas documentais e do escrutínio público. Trump exige que o New York Times preserve todos os documentos e métodos de cálculo da sondagem; já contra o JPMorgan, a acusação terá de demonstrar nexo causal entre decisões bancárias e motivação política, além de quantificar os danos pleiteados.
Este capítulo revela algo mais profundo: o jogo de peças não é apenas jurídico, é também simbólico. Cada movimento busca alterar não apenas decisões em tribunais, mas o equilíbrio de confiança nas instituições que sustentam o sistema político. No tabuleiro que hoje se abre entre mídia, mercado e Estado, a partida promete ser longa e de alto risco para todos os atores.






















