Por Alessandro Vittorio Romano — A paisagem da saúde pública italiana em 2025 revelou manchas que não podemos ignorar: foram 529 casos de sarampo registrados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro, segundo o boletim de dezembro de 2025 do Istituto Superiore di Sanità (ISS), publicado no Morbillo & Rosolia News. Desses casos, um número expressivo — 88% entre não vacinados — mostra claramente como o processo de vacinação é a raiz que sustenta a saúde coletiva.
Como quem observa um pomar após a colheita, vemos concentrações regionais: mais da metade dos casos (64,7%) foi relatada em apenas cinco regiões — Lombardia, Emilia-Romagna, Lazio, Calabria e Sicília —, sinalizando áreas onde a folhagem da imunidade está mais rala. A Calábria registrou a maior incidência, com 46,4 casos por milhão de habitantes, seguida pelas Marcas (15,5/milhão), pelo Lazio (13,3/milhão), pela província autónoma de Bolzano (13,0/milhão) e pela Sicília (12,8/milhão). No conjunto nacional, a incidência ficou em 9,0 casos por milhão.
Um quarto dos casos (14%) foi identificado como importado, lembrando-nos que as correntes que atravessam fronteiras também movem riscos. A idade mediana dos afetados foi de 31 anos: mais da metade (52,4%) tinha entre 15 e 39 anos, e 24,2% tinham 40 anos ou mais. Ainda assim, a infância mostra-se frágil — a maior incidência por faixa etária ocorreu em crianças de 0 a 4 anos, com 41,4 casos por milhão, e foram reportados 26 casos em bebês com menos de um ano de idade.
Preocupantemente, cerca de 31,3% de todos os casos desenvolveram pelo menos uma complicação. As complicações mais frequentemente relatadas incluíram pneumonia (11,7%), ressaltando como o sarampo, que pode parecer pura pele e febre, tem raízes que alcançam órgãos vitais e deixam marcas profundas.
Essa fotografia epidemiológica não é somente estatística: é o mapa das nossas escolhas e dos nossos cuidados. A ausência da proteção vacinal cria clareiras onde o vírus encontra espaço para se espalhar, e as complicações acendem alertas sobre a vulnerabilidade de quem ainda não completa os ciclos de imunização. A vigilância do ISS e os boletins regulares mantêm a trilha visível, mas a ação é coletiva: fortalecer a vacinação, especialmente entre crianças e populações jovens, é semear resistência para as próximas estações.
Como um caminhar atento por uma paisagem que muda, convido o leitor a olhar para esses números como guias práticos: verificar o cartão vacinal, acessar serviços de saúde locais e manter diálogo com profissionais — pequenas práticas que, juntas, reconstroem a sombra protetora da comunidade. Em tempos em que o clima da vida urbana respira apertado, a imunidade é a nossa floresta de proteção — e precisa ser cultivada.
Fonte: Istituto Superiore di Sanità — Morbillo & Rosolia News (boletim de dezembro de 2025).




















