Chegou a hora de brindar com arte: na primavera, Gênova recebe a luz e a elegância do grande Antoon van Dyck (1599-1641). A mostra “Van Dyck l’europeo. Il viaggio di un genio da Anversa a Genova e Londra”, que ficará no Palazzo Ducale — nas salas do Appartamento del Doge — de 20 de março a 19 de julho de 2026, promete ser um abraço sensorial ao universo de um dos mais finos retratistas do Barroco.
Curada por Anna Orlando e Katlijne Van der Stighelen, e acompanhada por um comitê científico honorário internacional, a retrospetiva é a maior dedicada ao mestre de Anversa nos últimos vinte e cinco anos. Andiamo: cada obra convida a saborear a história, a perceber a textura do tempo nas roupas, nos gestos e na luz cuidadosamente dosada que revela tanto a aparência quanto a alma do retratado.
Van Dyck, que atravessou cortes e cidades — de Anversa a Londres, com paradas essenciais em cidades italianas — construiu um estilo onde a elegância do traço, uma certa sobriedade cromática herdada da tradição italiana e a influência de Rubens se harmonizam. Ao longo de sua maturidade, desenvolveu uma linguagem pictórica própria: meticulosa, intuitiva, onde a perfeição técnica se casa com a graça, a solenidade e a refinada sensibilidade psicológica.
A exposição em Gênova propõe esse percurso de viagem e transformação: obras de retrato que não são apenas imagens, mas narrativas em que roupas, joias, móveis e cenários tornam-se personagens; telas sacras e clássicas que mostram a versatilidade de um artista inquieto e atento ao detalhe; estudos de luz que permitem ao espectador quase ouvir o sussurro do tecido e sentir o perfume dos salões aristocráticos.
Para nós, que amamos descobrir o Bel Paese com olhar afetivo, ver Van Dyck em Gênova é como encontrar uma antiga carta de família: há intimidade e pompa, proximidade e distância. É uma combinação perfeita entre o olhar do artista — agudo, compassivo, observador — e a energia das cortes europeias, onde a imagem era poder e poesia.
A curadoria promete leituras que destacam tanto as raízes flamengas quanto o diálogo com a Itália renascentista, além das escolhas pictóricas que o tornaram um nome imprescindível nas cortes. O visitante poderá, portanto, navegar por múltiplos temas: o retrato de corte como instrumento social, a construção da imagem pública, e a capacidade de Van Dyck de transformar um simples retrato em um microcosmo cultural e sensorial.
Se você planeja uma escapada cultural nesta primavera, marque este passeio com carinho. Entre a luz dourada que atravessa as janelas do Palazzo Ducale e o silêncio solenemente cortês das salas do Doge, haverá momentos para o Dolce Far Niente diante de rostos que contam histórias de poder, beleza e fragilidade. Ciao, e venha descobrir os segredos pintados por um gênio que soube ouvir e traduzir cortes, afetos e paisagens humanas.






















