Roma — O início do processo parlamentar para a reforma da saúde militar, já alinhado na Conferência Unificada de 15 de janeiro, reacendeu o debate sobre o direito de acesso de atletas com diabetes aos grupos esportivos militares. Para a Federazione delle società diabetologiche italiane (Fesdi), que reúne AMD e SID, o movimento das instituições é um sinal alentador de sensibilidade crescente sobre o tema.
Há anos envolvida na defesa dos direitos dos atletas com diabetes, a Fesdi defende a atualização de uma norma hoje baseada num Regio Decreto de 1932, que se mostra desajustado às atuais evidências científicas, às terapias disponíveis e às possibilidades de gestão da doença. Em vez de exclusões automáticas, as associações propõem avaliações individualizadas, centradas nas reais condições de aptidão de quem tem o diabetes mellitus adequadamente controlado.
“Para os atletas, a entrada nos grupos esportivos militares representa uma etapa essencial para a continuidade e a sustentabilidade da carreira de alto rendimento”, afirmou Raffaella Buzzetti, presidente da Fesdi. Segundo ela, permitir o acesso baseado em critérios médicos atualizados e numa perspectiva multidisciplinar — envolvendo medicina do esporte e especialistas em diabetologia — é uma questão de justiça e de valorização do talento, sem comprometer a segurança operacional.
As recentes iniciativas parlamentares em torno do tema reforçam a possibilidade de revisão normativa. Para a Fesdi, o caminho passa por avaliações clínicas individualizadas, protocolos de monitorização glicêmica, possibilidade de uso de dispositivos contínuos de glicemia e planos terapêuticos que assegurem tanto o rendimento esportivo quanto a segurança do atleta e da corporação.
Na prática diária, a questão não é apenas legal, é humana: trata-se de reconhecer que o controle do diabetes evoluiu como a paisagem que muda com as estações — novas ferramentas e rotinas terapêuticas permitem colher resultados bons e sustentáveis. A exclusão baseada em normas antigas priva o país de talentos e impede trajetórias profissionais quando, muitas vezes, bastaria uma avaliação médica criteriosa e adaptada.
As associações sublinham ainda a importância de diretrizes claras que harmonizem a atuação dos serviços médicos militarese dos clubes esportivos, promovendo formação específica para médicos do esporte sobre as particularidades do diabetes em atletas. Assim se constrói uma ponte entre o cuidado clínico e as exigências do treino de alto nível.
Enquanto o parlamento dá os primeiros passos da reforma, a Fesdi mantém o apelo: modernizar a norma, permitir avaliações personalizadas e garantir que a legislação reflita o conhecimento atual. É um convite a olhar para o futuro com olhos que entendem o ciclo das estações e a respiração do corpo em movimento — reconhecer raízes, cultivar oportunidades e permitir a colheita de carreiras que hoje são injustamente soterradas por um inverno normativo antigo.





















