Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: o procedimento disciplinar aberto após o suicídio de um aluno do Istituto Pacinotti, em Fondi, resultou na suspensão por três dias da dirigente escolar. A decisão foi tomada no âmbito das medidas administrativas adotadas após a morte, em setembro passado, do adolescente de 14 anos Paolo Mendico, que se suicidou em Santi Cosma e Damiano (Latina) após episódios reiterados de bullying.
A informação foi divulgada pela Flc Cgil, que acompanhou o caso e manifestou críticas contundentes ao modo como o processo foi conduzido pelo Ministero dell’Istruzione e del Merito (MIM). Segundo a organização sindical, o desfecho administrativo confirma temores prévios de uma gestão equivocada da vicenda por parte do Ministério.
Roberta Fanfarillo, responsável nacional dei dirigenti scolastici da Flc Cgil, afirmou que o Ministério teria priorizado a busca “a tutti i costi” por um colpevole, concentrando-se em encontrar e punir um responsável antes mesmo da conclusão das investigações penais que ainda estão em curso para apurar eventuais responsabilidades. “Si è preferito concentrare l’attenzione sulla ricerca a tutti i costi di un colpevole”, destacou a dirigente sindical, segundo os registros sindicais.
A Flc Cgil denuncia, ainda, que a contestação disciplinar foi formalizada antes mesmo do início da investigação ispettiva, medida que, na avaliação do sindicato, parece destinada a justificar um juízo previamente formado. A documentação fornecida pela administração, aponta o sindicato, baseou-se quase que exclusivamente em reportagens publicadas imediatamente após o evento trágico, sem apresentar elementos probatórios objetivos.
De acordo com a entidade, o acesso ao relatório da inspeção foi diferido e sujeito a antecipações por meio da imprensa, o que privou a dirigente da possibilidade de visionar e contestar integralmente as conclusões antes da notificação da punição. Para a Flc, trata-se de uma inversão do devido processo, com violação das regras procedimentais e da proteção dos direitos da interessada.
Fanfarillo ressaltou que, no ato de sancionamento, não são apresentadas provas concretas de omissão ou de responsabilidade específica por parte da dirigente: o dispositivo limita‑se a enunciar afirmações genéricas, sem demonstrar correlação direta entre ações ou omissões da escola e a tragédia ocorrida. “Di nessuna concreta responsabilità, di nessuna omissione viene data prova nel dispositivo della sanzione”, afirmou.
A organização sindical qualifica o episódio como uma operação de caráter político, na qual a repercussão mediática e o processo sumário teriam impulsionado a necessidade de identificar um culpado. Segundo a Flc, as evidências produzidas pela própria dirigente apontariam em direção contrária às acusações, mas foram insuficientes para conter o curso administrativo.
Por fim, a Flc Cgil declarou que está determinada a combater qualquer tentativa de instrumentalização do caso por parte do Ministério e a defender a integridade profissional da dirigente do Pacinotti. A dirigente já conferiu mandato a seus advogados para as medidas cabíveis, inclusive ações relativas à difusão de dados e documentos que considere lesivos à sua reputação e à corretude do procedimento, conforme informado pelo sindicato.
Os inquéritos penais permanecem em andamento, e a apuração técnica e judicial prossegue para elucidar todas as responsabilidades envolvidas. A realidade traduzida pelos fatos brutos exige investigação rigorosa e respeito aos trâmites legais, sem substituições por julgamentos sumários ou pela lógica da exposição mediática.






















