Na manhã desta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, desenha-se um movimento diplomático de alto risco e elevada simbologia. Às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, está previsto o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com o conflito na Ucrânia no centro da agenda. Simultaneamente, no Kremlin, terá lugar uma reunião que reúne o enviado norte-americano Steven Witkoff, o conselheiro Jared Kushner e o presidente russo, Vladimir Putin. Em ambos os polos negociais, a “reconstrução” de Gaza figura como tema emergente, acrescentando outra dimensão ao tabuleiro.
O próprio Trump anunciou, em sua intervenção em Davos, a intenção de forçar uma “virada” nas negociações sobre a Ucrânia. “Estou tratando com o presidente Zelensky e penso que ele quer um acordo”, declarou, apontando que as condições para uma solução estariam amadurecendo. Na retórica do mandatário, há uma clara aposta em acelerar um acordo político que, segundo sua avaliação, seria do interesse de ambas as partes — e cuja recusa seria estratégica e emocionalmente contraproducente.
No Kremlin, as comunicações oficiais ainda falam em fase de avaliação. Porém, em paralelo à agenda davosiana, circulam já sinais de um esforço de múltiplas frentes: um encontro direto entre representantes americanos e o presidente russo sugere a tentativa de operar um doppio binario negocial — duas frentes convergentes para pressionar por uma saída política ao conflito.
Outro eixo que ganhou visibilidade nas últimas horas é o denominado “Board of Peace Gaza”. Segundo relatos públicos, Trump afirmou que Putin teria aceitado o convite para integrar o conselho, ao passo que o Kremlin mantém postura de avaliação. O presidente russo, segundo fontes citadas, declarou estar “pronto a stanziare 1 miliardo di dollari” a partir de ativos congelados nos EUA, numa proposta que adiciona peso financeiro ao tabuleiro. Enquanto isso, o Reino Unido oficializou sua recusa em participar; por outro lado, Arábia Saudita, Jordânia, Indonésia, Paquistão e Qatar constam entre os países que teriam dado seu assentimento.
No plano europeu, a primeira-ministra italiana expressou interesse, ainda que esbarre em questões constitucionais internas. A hipótese de um conselho multilateral para a reconstrução de Gaza introduz um novo eixo de influência e responsabilidade global — uma peça que pode redesenhar fronteiras políticas invisíveis entre atores regionais e globais.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que exige leitura fina. A simultaneidade das conversas em Davos e no Kremlin é reminiscent e de uma partida de xadrez em que se movimentam peças em duas seções do tabuleiro para forçar uma reação adversária. O risco: que acordos parciais em diferentes frentes acabem por criar alicerces frágeis, suscetíveis a pressões internas e choques externos. A aposta americana parece ser a de multiplicar canais para acelerar resultados — uma tática que pode produzir ganhos rápidos, mas que exige garantias de implementação e verificação.
Fontes diplomáticas indicam que o encontro em Davos deve ocorrer por volta do meio-dia local, enquanto o encontro no Kremlin se desenrolará em horário concomitante. Nas próximas horas, aguarda-se a divulgação de declarações conjuntas ou comunicados que clarifiquem o alcance dos entendimentos.
Em suma, a jornada de hoje oferece um exemplo claro de tectônica de poder: acordos em formação que podem reconfigurar esferas de influência na Eurásia e no Oriente Médio. Para analistas de geopolítica, manter-se atento aos detalhes procedimentais e às garantias oferecidas será decisivo para avaliar se estamos diante de um movimento decisivo no tabuleiro ou de manobras estratégicas com efeitos limitados.






















