Em 22 de janeiro de 1996, sob as duas portas brancas e as notas de Via col Vento, nascia um programa que, ao longo de três décadas, passou a fazer parte dos alicerces da comunicação política italiana. A estreia ficou marcada pela imagem de Romano Prodi com um livreto verde — o logotipo da coalizão era visível — e pela pergunta direta de Bruno Vespa: “Professore, ma lei l’accordo tra D’Alema e Berlusconi lo vuole o non lo vuole?”. Era o primeiro episódio de Porta a Porta, um formato que viria a ocupar o papel de ‘terza camera dello Stato’ na vida pública.
Na noite em que o programa celebrou 30 anos, a Rai transmitiu um especial em prime time em Rai 1, novamente sob o comando de Bruno Vespa, com coapresentação de Enrico Mentana. A celebração reuniu uma verdadeira parada de personalidades: da cúpula política — como Giorgia Meloni, Antonio Tajani e Matteo Salvini, até figuras do centro-esquerda como Elly Schlein, Giuseppe Conte e Matteo Renzi —, aos grandes nomes do entretenimento que acompanharam a trajetória do programa.
O espetáculo televisivo foi completado por presenças como Carlo Conti, Milly Carlucci, Mara Venier, Antonella Clerici, Valeria Marini, Eleonora Daniele, Al Bano, Iva Zanicchi e Paolo Belli com sua banda. Não faltaram também referências a temas internacionais: do derretimento da Groenlândia às ameaças à segurança global, passando pelas manifestações no Irã, tópicos que mostraram como o programa serviu de palco para debates que ultrapassam os corredores de palácios e chegam à vida cotidiana dos cidadãos.
Ao lembrar a sua primeira participação, Giorgia Meloni evocou nervosismo e a responsabilidade de estar diante das lentes de um formato que, ao longo dos anos, funcionou como ponte entre decisões institucionais e o público. Mensagens institucionais foram lidas durante o especial, incluindo saudações da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e do presidente da República, Sergio Mattarella — que receberá uma delegação de Porta a Porta no Quirinale em 9 de fevereiro.
O tom da noite transitou entre a seriedade do registro jornalístico e a leveza do espetáculo. Fiorello entrou ao vivo de seu programa de rádio e ironizou: “Porta a Porta mette a nudo la politica, è l’OnlyFans della politica” — um comentário que lembrou que, além de fórum político, o programa sempre teve um pé na cultura popular. Durante toda a transmissão, contadores de aparições (“número de presenças”) foram exibidos para cada convidado, um lembrete gráfico da longa permanência do formato na paisagem catódica italiana.
Como repórter que observa a arquitetura do poder e sua tradução para a vida dos cidadãos, vejo em Porta a Porta mais do que entretenimento: um espaço institucionalizado onde decisões, anseios e crises são colocados em evidência. O programa ajudou a construir, ao longo de 30 anos, pontes comunicativas — às vezes firmes, às vezes frágeis — entre Roma e a sociedade. E, nesse balanço que hoje se faz, resta entender qual será o próximo patamar dessa construção pública, num cenário político e mediático em constante mutação.






















