Por Chiara Lombardi — Em um gesto que é ao mesmo tempo homenagem e autorretrato, Francesco Baccini apresenta “Franco Califano”, segundo single extraído do álbum Nomi e Cognomi Due, previsto para 2026 pela Azzurra Music. A canção, lançada em 23 de janeiro nas rádios e plataformas digitais, revive o espírito de um tempo — e mostra como a música funciona como porto seguro e espelho do nosso tempo.
São 34 anos desde Nomi e Cognomi (1992), disco que lançou Baccini ao grande público e lhe rendeu disco de platina. Agora, o artista genovês retorna não com nostalgia plástica, mas com um trabalho que reconstrói memórias e práticas artísticas, propondo um reframe da identidade do intérprete e do homenageado. Ao escolher dedicar o single a Franco Califano, Baccini evita a celebração retórica: prefere um jogo de espelhos onde o relato do outro se transforma em reflexão sobre si mesmo e sobre o oficio do artista.
A letra mergulha na solidão criativa, no tormento interior e na fragilidade — temas que atravessam a história de muitos criadores — e contrasta essas sombras com a alegria pura de cantar. Em suas próprias palavras, “quando canto eu fico bem e sinto o canto nas veias”; a música, portanto, não é apenas expressão, é salvaguarda emocional: se a canção proclama a vitória da alegria sobre o tormento, ela nos faz alçar voo. Essa transformação das emoções em energia vital é o roteiro oculto do single.
Musicalmente, o arranjo foi gravado inteiramente ao vivo e aposta em uma textura clássica e visceral: guitarras, piano, cordas, percussões e uma presença sensível da sanfona compõem um cenário sonoro que privilegia a organicidade. Essa opção reforça a ideia de autenticidade — um contraponto ao universo digital dos likes e pings efêmeros. “No final, o que sobra de um artista? — diz Baccini — Não são a fama, os boatos ou os likes. Acredito que se torna imortal quem permanece na memória pelas obras: enquanto alguém ouvir as canções de Califano, ele viverá. A arte transcende o tempo e as pessoas; o talento permanece.”
O single é, portanto, uma declaração: não apenas de afeto por um colega de cena, mas de fé na capacidade da música de criar refúgios e atravessar gerações. É um pequeno manifesto sobre o que importa no ofício do intérprete — a obra — e sobre como o canto pode funcionar como um lugar íntimo de resistência e bem-estar.
“Franco Califano” chega ao público em 23 de janeiro, disponível nas estações de rádio e em todas as plataformas digitais. Para quem acompanha a trajetória de Francesco Baccini, o lançamento é mais que um single: é um espelho cultural que nos convida a escutar o passado, revisitar afetos e perceber como a música continua sendo o porto seguro onde nos reconhecemos.
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