Por Aurora Bellini — Em um episódio que ilumina tanto a fragilidade da vida selvagem quanto a capacidade humana de cuidar, um cervo assustado pelos fogos de Ano-Novo foi encontrado vagando, atordoado, no centro de Nova Milanese, uma cidade da região da Brianza próxima a Milão. Depois de um resgate coordenado, o animal recebeu atendimento e foi reintroduzido nas colinas ao redor de Lecco.
O encontro surpreendente ocorreu em uma área altamente urbanizada, onde a presença de um cervo é incomum e perturbadora para o próprio animal. Assim que a ocorrência foi sinalizada, a polícia provincial de Monza e Brianza, em conjunto com a veterinária da ATS, descartou a necessidade de abate e procedeu para a captura segura do cervo — que foi sedado com tranquilidade e transportado ao centro de recuperação.
O mamífero foi levado ao Centro de Recuperação de Animais Selvagens Cras Stella del Nord, em Calolziocorte, gerido pela Leidaa. Os exames clínicos indicaram ausência de fraturas ou traumas significativos; o que se observou foi um quadro de desorientação, compatível com dias de deslocamento por ambientes urbanos e com o estresse provocado pelos estourinhos dos fogos, que o levaram a uma fuga extenuante por ruas e avenidas.
Com intervenções técnicas e humanas realizadas com precisão — desde a sedação segura executada pela equipe veterinária até a escolta da polícia provincial — os profissionais optaram por devolver o animal à natureza tão logo foi possível. A área escolhida para a soltura foi um trecho arborizado acima de Valgreghentino, entre as colinas de Lecco, onde o cervo foi colocado em ambiente protegido até o despertar.
O momento do retorno ao bosque foi carregado de emoção. Autoridades e membros do Cras acompanharam o despertar e a partida do cervo, vendo-o desaparecer entre troncos e clareiras — um pequeno renascimento sob a luz tranquila daquele habitat recuperado. A presidente da Leidaa, Michela Vittoria Brambilla, manifestou agradecimento aos envolvidos, ressaltando a decisão acertada de preservar a vida do animal e de priorizar soluções de resgate e reabilitação.
Este caso, o primeiro do ano para o Cras de Lecco, é um lembrete da convivência — por vezes tensa — entre áreas urbanas em expansão e a fauna que as circunda. Revela também a importância de redes de proteção animal bem treinadas e de políticas públicas que considerem medidas preventivas durante festas e eventos ruidosos, quando o impacto sonoro pode deslocar e ferir seres que não compreendem o barulho humano.
Ao devolver esse cervo ao seu habitat, as equipes não só restauraram a liberdade de um indivíduo, mas também semearam um gesto de esperança: que possamos iluminar caminhos para uma convivência mais sensível e responsável com a natureza, cultivando valores que preservem o legado de nossos ecossistemas.






















