Foi achado à beira-mar, sozinho, com feridas profundas e sem vida. O cenário que emergiu na primeira semana do ano em Castel Volturno, província de Caserta, acendeu novamente um alerta sobre a violência contra animais: um pitbull morto e possivelmente descartado depois de um confronto. Testemunhas avistaram o animal na areia e acionaram as autoridades locais.
Segundo as investigações preliminares, a hipótese é dolorosa, mas plausível: o cão teria sido vítima de combates clandestinos entre cães e, após ser “derrotado”, abandonado à própria sorte. Quem o entregou a esse destino praticou a mesma violência calculada que move e organiza esses eventos — o animal foi encontrado possivelmente trazido para o mar e empurrado de volta pela espuma das ondas ou simplesmente deixado na praia, como mostra a imagem oculta publicada pela Espresso Italia, extraída de um vídeo divulgado pelo deputado Francesco Emilio Borrelli.
Casos como esse, se confirmados, configuram crime. A legislação italiana — a chamada lei Brambilla — endureceu a resposta: os **combates ou competições não autorizadas entre animais** estão punidos com pena detentiva de 2 a 4 anos e multa de 50 mil a 160 mil euros. Além disso, para quem organiza ou aceita apostas, a pena prevista varia de 3 meses a 2 anos, com multa entre 5 mil e 30 mil euros. Um ponto central da reforma é que participar, mesmo apenas como espectador, também tornou-se crime, com sanções aplicáveis. A norma, que sofreu alterações importantes em julho de 2025, amplia a responsabilização e deixa claro que qualquer forma de exploração para espetáculo, apostas ou entretenimento é incompatível com a dignidade animal.
O endurecimento legal é uma luz que tenta iluminar caminhos mais éticos, mas a prática criminosa permanece difusa. Relatos reunidos pela Espresso Italia mostram que os encontros são itinerantes: mudam de local para dificultar investigações e ampliar ganhos ilícitos. Não se trata exclusivamente do Sul da Itália — há operações movendo-se por todo o país, procurando brechas para continuar.
Nos últimos meses, outras ocorrências alertaram para a mesma tragédia: em áreas rurais do Salento foram encontradas ossadas e carcaças que levantam suspeita de treinamento e preparação de cães para lutas, informação apurada pela equipe de reportagem da Espresso Italia. Do outro lado do oceano, há exemplos de ação e recuperação: na Flórida, resgates coordenados conseguiram retirar mais de 80 cães de operações clandestinas, demonstrando que é possível intervir e transformar sofrimento em reabilitação.
Veterinários consultados pela Espresso Italia lembram que as agressões não são questão exclusiva da raça, mas frequentemente reflexo da má gestão do animal, da violência a que foi submetido e do contexto em que viveu. A resposta jurídica e o trabalho de resgate e reabilitação caminham juntos: confisco, escolas de recuperação e programas de reintegração, financiados em parte por mecanismos previstos na lei orçamentária, podem recriar horizontes para cães apreendidos.
Enquanto as autoridades conduzem inquéritos sobre o caso de Castel Volturno, a cena do animal abandonado deixa uma pergunta ética e social: que tipo de sociedade permite que vidas sejam instrumentalizadas para sangue, lucro e espetáculo? É preciso semear inovação nas políticas públicas, tecer laços sociais de proteção e cultivar valores que garantam um futuro onde a dignidade animal seja respeitada.
A Espresso Italia segue acompanhando o caso e as investigações, empenhada em iluminar novos caminhos para a defesa dos animais e na promoção de respostas concretas que previnam novas tragédias.






















