Roma, 21 de janeiro de 2026 — O equilíbrio prometido pelo Sistema Nacional de Saúde mostra-se cada vez mais frágil na vida cotidiana das famílias italianas. Segundo o 21.º Rapporto Sanità do CREA (Centro per la Ricerca Economica Applicata in Sanità), apresentado no CNEL, o peso do gasto privado em saúde subiu de forma expressiva, comprometendo o orçamento de cerca de 4 milhões de famílias.
Desde a criação do Serviço Público de Saúde, a incidência dos consumos sanitários sobre o orçamento familiar mais que dobrou: alcança hoje, em média, 4,3% e chega a 6,8% entre famílias com menor nível de instrução. Entre o 60% das famílias mais pobres, a quota de despesa privada aumentou de 27,6% para 37,6%, demonstrando que a carga recai com maior dureza sobre aqueles que já colhem menos frutos da economia.
Ao todo, a despesa privada em saúde soma 43,3 bilhões de euros, quase um quarto do total gasto em saúde no país. Esses números não são apenas estatística: traduzem-se em histórias e escolhas difíceis, na respiração curta da conta familiar, na renúncia a consultas e terapias que deveriam estar garantidas. O CREA destaca que 2,3 milhões de residentes já registam um quadro de impoverecimento ou de renúncia por motivos económicos às prestações sanitárias — um sinal de alerta que cresce de forma lenta, mas constante.
Como observador do dia a dia, eu vejo neste relatório a imagem de uma paisagem em mudança: a cidade respira, mas há bolsões onde o ar pesa. A saúde pública, idealmente igualadora, parece às vezes permanecer apenas no papel, enquanto a prática deixa famílias a escolher entre medicamentos, visitas ao especialista e outras necessidades básicas. É a colheita dos hábitos de um sistema que precisa renovar suas raízes para não deixar de nutrir os mais vulneráveis.
Os números do Rapporto Sanità convidam à reflexão e à ação. Não se trata apenas de medir despesas, mas de perceber como a proteção coletiva — o coração do Sistema Nacional de Saúde — pode falhar nas pontas da rede, onde vivem aqueles que menos podem arcar com custos extras. A equidade, portanto, não é conceito abstrato, mas um termômetro do bem-estar social.
Para além das estatísticas, fica o apelo: políticas que reduzam barreiras de acesso, medidas que contenham os custos diretos e indiretos da assistência e um olhar atento às desigualdades regionais podem transformar este inverno em solo fértil para um novo despertar do cuidado coletivo. Enquanto isso, milhões de lares continuam a ajustar seu orçamento à sombra dos recibos e das consultas, e o relatório do CREA nos relembra que a saúde pública é também a narrativa das contas domésticas.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















