Por Chiara Lombardi — Em um gesto que mistura cena e vida, o ator bergamasco Giorgio Pasotti transformou a cortina final de uma peça em um altar improvisado: no domingo, 18 de janeiro, durante a apresentação de La strana coppia no Teatro Alfieri de Turim, Pasotti fez a proposta de casamento a Claudia Tosoni.
Enquanto representavam as últimas réplicas ao lado de Gianluca Guidi e Giampiero Ingrassia, a cena ganhou um desvio romântico. Ao fim do espetáculo, Pasotti retornou ao palco com um buquê de flores brancas numa mão e, na outra, o anel. Ajoelhando-se num cenário que, até então, pertencia ao roteiro fictício, ele dirigiu à parceira a pergunta que mistura o improviso do instante e a intenção de toda uma vida: «Claudia, vuoi sposarmi?». Ela, emocionada, disse «sim», e a plateia recompensou o momento com um aplauso prolongado.
Há uma elegância teatral nesse tipo de pedido: não é apenas espetáculo, é o espelho de uma história que se construiu entre bastidores e palcos. Pasotti e Tosoni estão juntos desde 2017, quando se conheceram no set da montagem de Sogno di una notte di mezza estate, dirigida por Massimiliano Bruno. A diferença de idades — ele, 52 anos, natural de Bérgamo; ela, 34 anos, romana — nunca foi obstáculo público; Pasotti, em entrevistas, sempre definiu a companheira como «muito madura».
A trajetória profissional do casal já se entrelaçou: no verão anterior, quando Pasotti debutou como diretor teatral com uma montagem de Otello, escolheu Tosoni para o papel de Desdêmona. Há, portanto, um diálogo constante entre o trabalho e a vida — o tipo de simbiose que revela como o palco pode ser também um território de decisões íntimas.
Fora dos holofotes, a intimidade do ator também carrega outras histórias. Pasotti é pai de Maria, nascida em 2010, fruto do relacionamento com a ex-companheira Nicoletta Romanoff. Em público, confessou o desejo de vivenciar novamente a paternidade ao lado de Claudia. A atriz, por sua vez, tem trajetória própria: em 2012, participou do concurso Miss Italia, conquistando a faixa de Miss Sorriso Lazio e o terceiro lugar na classificação final.
Quando falam de relacionamento, o casal prefere a discrição. Ainda assim, surgem confidências que humanizam a narrativa: Pasotti contou que, no início, recusou alguns convites a jantar para testar a persistência de Claudia — só no quarto convite aceitaram sair, e dali brotou o afeto que agora se concretiza num pedido público.
O episódio no Teatro Alfieri é, em si, uma pequena parábola sobre como a cultura performativa reconfigura afetos na esfera pública. É o roteiro oculto da sociedade que, por vezes, escolhe o palco como lugar seguro para declarar compromissos. Para nós, espectadores, resta a emoção e a reflexão: o que significa tornar privado o que o público aplaude? Talvez seja a semiótica do viral transformada em tradição íntima — um gesto que ecoa e se fixa como imagem do nosso tempo.
Pasotti e Tosoni agora têm um capítulo novo para escrever. Entre a reverência aos clássicos e a vida a dois, esse pedido no palco será, sem dúvida, uma cena recorrente nas memórias compartilhadas do casal — e um espelho cultural do modo como amamos e performamos o amor hoje.






















