Por Aurora Bellini — Em um gesto de luz e esperança para a conservação, o bioparque Zoom em Torino anuncia a chegada de novos filhotes que irão fortalecer a sua já numerosa comunidade de pinguins africanos. Atualmente com 48 exemplares, a coleção do parque é a mais populosa da Itália e uma das maiores da Europa — um verdadeiro farol para projetos de proteção da espécie.
Dois filhotes já nasceram com sucesso e outras cinco ovos estão sob expectativa de eclosão até o fim do mês. Antes de retornarem aos ninhos, as cascas passaram por exames pré-natais de rotina: a técnica conhecida como speratura (candling) permite checar, de forma não invasiva, a vitalidade dos embriões usando uma fonte luminosa em ambiente escuro. Essas verificações são rápidas e cruciais para monitorar o desenvolvimento e detectar eventuais problemas sem estressar os pais, que logo recebem novamente os ovos sob seu calor protetor.
A veterinária do bioparque, Dra. Sara Piga, explicou à equipe da Espresso Italia que, ao chegar à clínica, cada ovo é submetido à speratura para observar o estado do embrião e medir o batimento cardíaco nas horas que antecedem a eclosão — algo que pode alcançar até 150 batimentos por minuto. “O procedimento é delicado, breve e essencial: reduzimos o tempo de manipulação e garantimos que os filhotes tenham a melhor chance possível desde os primeiros instantes”, disse a médica.
Os pinguins africanos (Spheniscus demersus) são a única espécie do gênero originária do continente africano. Suas áreas históricas incluem a costa sudoeste da África, mas a proximidade contínua com assentamentos humanos tem cobrado um preço alto. Ao contrário de espécies antárticas que vivem relativamente isoladas, esses pinguins sofreram pela coleta de ovos para consumo, pela caça e, em décadas recentes, pelos impactos das atividades humanas — derramamentos de óleo, poluição e a redução de presas disponíveis devido à sobrepesca e alterações ambientais. Resultado: a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica a espécie como em perigo crítico.
Em cativeiro, porém, estes animais podem viver até 30 anos e demonstram alta taxa de reprodução quando cuidados adequadamente — um aspecto que torna colônias como a de Torino estratégicas para esforços maiores de conservação, educação e pesquisa. Cada nascimento aqui é mais do que um evento local: é uma semente de resiliência que ajuda a reconstruir populações e ilumina caminhos para práticas mais responsáveis de convivência entre humanos e fauna marinha.
As equipes do Zoom realizam rotinas de monitoramento e manejo reprodutivo com foco no bem-estar e na conservação. Além dos exames aos ovos, há programas de educação para visitantes que explicam por que esses pinguins africanos estão ameaçados e como ações concretas — desde reduzir o plástico até pressionar por pesca sustentável e medidas contra poluição por hidrocarbonetos — podem reverter esse declínio.
O nascimento dos filhotes é também um convite à reflexão: enquanto celebramos o brilho desses pequenos corpos recém-chegados, somos lembrados da urgência em proteger seus habitats e restaurar um horizonte límpido para as futuras gerações. Em outras palavras, cada nova ave que abre os olhos no ninho acende uma lâmpada sobre o trabalho que ainda precisamos fazer — cultivar valores, tecer laços sociais e semear inovação nas políticas de conservação.
Espresso Italia acompanhará o desenrolar das próximas semanas com atualizações sobre a eclosão das demais cinco ovos e sobre o desenvolvimento dos filhotes já nascidos, sempre com o olhar atento à ciência, ao bem-estar animal e à transformação cultural que a preservação inspira.






















