Por Giuseppe Borgo — O presidente do Popolo della Famiglia, Mario Adinolfi, anunciou nesta semana que o movimento católico pro-life entrará na disputa das eleições supletivas do Veneto, marcadas para 22 e 23 de março. A mobilização quer transformar a contenda regional em um teste para os alicerces do centro-direita nacional.
Em nota oficial, Adinolfi confirmou que será candidato ao Parlamento no círculo de Padova, enquanto o secretário nacional, Mirko De Carli, tentará a vaga em Rovigo. A estratégia, explicou, é enviar um sinal claro a Giorgia Meloni, a Matteo Salvini e ao restante do centro-direita: se a oposição à esquerda estiver ancorada no modelo político de Luca Zaia, o Popolo della Famiglia manterá distância e poderá ficar fora da coalizão nas próximas eleições nacionais.
Adinolfi ressalta que a formação já teve momentos de colaboração com a Lega e que tem um relacionamento pessoal positivo com Salvini. O ponto de ruptura, diz ele, é o papel dominante que Zaia exerce na política do Veneto. Segundo Adinolfi, o recente manifesto em cinco pontos apresentado por Zaia — descrito como uma proposta por “uma direita liberal” — seria, na prática, um retrato dos riscos de uma liderança sem cultura política própria e excessivamente sujeita a diktats culturais de esquerda.
O que inflama especificamente o movimento católico é a posição de Zaia sobre o fim da vida, alinhada com as teses de Marco Cappato. Para o Popolo della Famiglia, e em especial para os eleitores católicos do interior do Veneto — onde a tradição cristã popular permanece forte — essa convergência é inaceitável. “Em regiões onde, há séculos, muitos se chamam Antônio em homenagem ao santo, uma afronta tão explícita às raízes populares e cristãs não pode ficar sem resposta”, afirmou Adinolfi.
Com vocabulário de construção cívica, ele definiu a candidatura como uma tentativa de erguer uma ponte entre a prática política e os valores dos eleitores: “A nossa presença quer ser a construção de um alicerce político que recoloque os católicos no centro da política italiana”. Para materializar a iniciativa, o partido terá de recolher assinaturas para registrar as listas, um trabalho de base que, segundo Adinolfi, também servirá para levar a mensagem do retorno dos católicos à política organizada.
Sobre o possível impacto nas eleições nacionais, Adinolfi foi enfático: os eleitores venetos vão medir o nível de consenso do Popolo della Famiglia e poderão, disse ele, causar um prejuízo relevante à candidatura de Meloni ou à liderança de Salvini — um resultado que, em sua avaliação, poderia ser decisivo no eventual confronto entre Meloni e Elly Schlein (ou outro candidato da esquerda) nas eleições de 2027.
Como repórter que acompanha a arquitetura do poder e sua repercussão na vida cotidiana, observo que a iniciativa de Adinolfi é também um teste de como forças menores podem influir nos alicerces das maiores coalizões. A candidatura em Padova e a de De Carli em Rovigo prometem colocar na balança não apenas votos, mas a construção de fronteiras ideológicas — e a pergunta que fica é se o centro-direita aceitará ajustar suas fundações ou se verá suas paredes abalar-se pelas escolhas locais.
Nos próximos dias, o Popolo della Famiglia deverá intensificar a coleta de assinaturas e a presença nas ruas do Veneto. As respostas da Lega, de Meloni e de Salvini ao desafio serão decisivas para definir se essa batalha se limita a um sinal simbólico ou se transforma em um fator de ruptura real na arquitetura do voto italiano.






















