Na audiência geral realizada hoje na Aula Paulo VI, Papa Leone XIV retomou seu ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II e aprofundou a Constituição dogmática Dei Verbum. O Pontífice destacou que o documento conciliar reafirma um ponto central da fé cristã: a revelação de Deus acontece por meio de uma relação de aliança que assume a forma de amizade.
Segundo o Papa, «temos visto que Deus se revela num diálogo de aliança, no qual se dirige a nós como a amigos». Trata-se — explicou — de uma conhecimento relacional que não transmite apenas ideias, mas partilha uma história e convoca à comunhão na reciprocidade. Esse enfoque, afirmou, modifica radicalmente a compreensão do vínculo entre o homem e Deus.
Na exposição, o Santo Padre sublinhou que em Jesus Cristo o relacionamento entre a humanidade e Deus torna-se dialogal: é uma amizade cuja condição única é o amor. «O Verbo eterno ilumina todos os homens», disse, citando a passagem que revela a intimidade entre o Pai e o Filho. O documento acrescenta que «a íntima verdade, tanto de Deus quanto da salvação do homem, resplandece em Cristo, que é simultaneamente mediador e plenitude de toda a revelação».
O Pontífice insistiu na necessidade de transformar o modo como nos relacionamos com Deus. «Graças a Jesus conhecemos Deus como somos por Ele conhecidos», afirmou. Em Cristo, Deus comunicou a si mesmo e revelou a nossa identidade mais profunda: filhos, criados à imagem do Verbo. Nesta perspectiva, a humanidade plena de Jesus Cristo é também a chave para compreender a verdade do Pai.
O Papa frisou que a revelação não diminui o humano: «A verdade de Deus não se revela plenamente onde se retira algo do humano; assim como a integridade da humanidade de Jesus não reduz a plenitude do dom divino. É o humano integral de Cristo que nos conta a verdade do Pai».
Ao explicar o efeito prático dessa revelação, Leone XIV lembrou passagens bíblicas e a tradição paulina: «Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho para que recebêssemos a adoção de filhos. E que sois filhos é provado pelo fato de que Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: ‘Abba! Pai!’».
O Pontífice também relacionou a missão cristã com a noção de proximidade para com o sofrimento humano. «O amor não é passivo; ele vai ao encontro do outro. Ser próximo não depende de uma proximidade social, mas da capacidade de amar», declarou, convocando os fiéis a se aproximarem dos que padecem, em consonância com a pessoa de Jesus Cristo cujo testemunho humano revela o rosto do Pai.
Ao concluir a audiência, o Papa reafirmou que não são apenas a morte e a ressurreição de Jesus que nos salvam, mas a pessoa inteira do Cristo encarnado, que chama à comunhão filial com Deus e à vida plena destinada aos que são reconhecidos como filhos no Filho.
Apuração in loco e cruzamento de fontes guiaram esta síntese da catequese papal, preservando a literalidade dos ensinamentos centrais proclamados pelo Pontífice na Aula Paulo VI.






















