ROMA — Um levantamento do Censis, realizado em parceria com a farmacêutica Lundbeck Italia, revela que 30,0% dos italianos consultados recorrem exclusivamente a fontes não profissionais quando buscam informação sobre saúde mental. O estudo, apresentado em Roma durante um congresso que reuniu representantes do Ministério da Saúde, Agenas, universidades e parlamento, ouviu uma amostra representativa de 1.000 adultos.
Segundo a sondagem intitulada “Salute mentale e salute del cervello nella concezione della salute degli italiani”, 24,1% dos participantes indicaram apenas fontes profissionais (do médico de família ao psiquiatra) como referência, enquanto 45,9% afirmaram usar ambas as categorias de informação — profissional e não profissional.
O relatório aponta também uma tendência clara de diferenciação entre saúde mental e saúde do cérebro: 62,8% dos entrevistados considera que as duas dimensões não coincidem, separando doenças neurológicas e do neurodesenvolvimento (associadas à saúde do cérebro) das doenças psiquiátricas (relacionadas à saúde mental).
Na lista das condições que os italianos associam ao cérebro, predominam os tumores (42,8%) e as demências (40,7%). Já entre os transtornos apontados como problemas de saúde mental aparecem a depressão (52,0%) e formas relacionadas a paranoia e manias (34,5%). Para o Censis, esses resultados indicam uma percepção limitada da interdependência entre saúde mental e saúde do cérebro, além de baixa consciência sobre as áreas de sobreposição entre transtornos cerebrais e psiquiátricos.
Quando questionados sobre as doenças que mais temem, 49,5% dos entrevistados citaram Alzheimer e outras demências, seguidos por tumores cerebrais (32,7%) e depressão (24,1%). Em termos de autopercepção informativa, os italianos se mostram mais seguros quanto à saúde mental: 62,7% dizem estar “muito” ou “bastante” informados sobre saúde mental, contra 52,2% que declaram o mesmo a respeito da saúde do cérebro.
O levantamento também revela uma mudança cultural no conceito de saúde: 31,3% dos entrevistados definem saúde como equilíbrio psicofísico e bem-estar mental — proporção que sobe para 44,0% entre os jovens. Quase metade (46,7%) acredita que o bem-estar físico depende do psicológico; 45,8% considera ambas as dimensões igualmente importantes, enquanto apenas 7,5% vê o bem-estar mental como secundário.
O evento de apresentação em Roma contou com a participação de especialistas do setor de neurociências e psiquiatria, bem como com representantes institucionais do Senado, da Câmara e de comissões interparlamentares de caráter socio-sanitário. O diagnóstico do Censis aponta para a necessidade de políticas públicas e estratégias informativas que reforcem a relação entre cérebro e mente, promovendo fontes profissionais de qualidade e diminuindo a dependência do faça você mesmo no acompanhamento de transtornos psiquiátricos.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e dados brutos do levantamento de campo compõem o quadro que agora será levado ao debate público e institucional, segundo os organizadores. A pesquisa completa está assinada pelo Censis em parceria com a Lundbeck Italia e traz um raio-x do estado atual da compreensão pública sobre saúde psicológica e neurológica na Itália.






















