Por Giulliano Martini — A câmara ardente de Valentino foi aberta hoje, às 10h50, na sede da Fundação em praça Mignanelli 23, Roma, com dez minutos de antecedência em relação ao horário previsto. A presença pública foi imediata: dezenas de pessoas formaram fila ao longo das grades para prestar o último tributo ao estilista, e o fluxo de visitantes seguiu ininterrupto ao longo da manhã.
Na entrada já se destacavam as primeiras coroas de flores enviadas pelo Comune di Roma e pelo Teatro dell’Opera. Pelo gabinete municipal, compareceu o assessor Alessandro Onorato. Entre os que aguardavam nas primeiras posições, duas senhoras romanas descreveram, de forma direta, o significado da perda e do agradecimento coletivo.
“É um dia triste para a moda italiana, com impacto mundial. Um homem que vale a pena homenagear”, disse a primeira. “Espero que mais romanos venham. Valentino soube exprimir ao máximo a feminilidade; queria a mulher bonita, e por isso o agradeceremos sempre”.
A segunda visitante acrescentou: “Foi um mentor. Trabalhei anos com moda e posso dizer que deixou marca humana e profissional. Estou aqui para homenagear o homem e o mestre”. São relatos colhidos in loco e cruzados com a movimentação observada na porta da Fundação.
Ao sair da câmara ardente, o diretor criativo Alessandro Michele definiu a perda como «uma grande perda, mas também uma herança imensa para levar adiante». Michele relatou que, embora não tenha trabalhado diretamente com Valentino, encontrou-o em eventos e sentiu nele uma presença delicada, gentil e irônica. “Eu e Valentino nos cruzamos em eventos que muitos chamariam de mondanos, entre seres humanos. Não tivemos a oportunidade de colaborar, mas sempre me pareceu uma pessoa delicadíssima”.
Michele enfatizou o peso simbólico da figura do estilista: “Não me sinto em posição de ocupar seu lugar; ele é um grande pai fundador, hoje parte da mitologia. O lembraremos como um ser quase mágico”. Ainda assim, afirmou perceber diariamente a presença do criador ao tocar objetos e percorrer os espaços por onde Valentino trabalhou.
Maria Grazia Chiuri também chegou à câmara ardente e recordou o vínculo pessoal e profissional com o designer. “Era outra época, havia senso de comunidade e de família; era muito paterno”, disse. Chiuri expressou gratidão por ter compartilhado parte da vida e da profissão com Valentino, ressaltando o papel humano e formativo que ele exerceu para gerações de profissionais da moda.
O ambiente na Fundação é de recolhimento e reconhecimento público. A presença de representantes institucionais, colegas e cidadãos comuns traduz o alcance da obra de Valentino na cena cultural italiana e internacional. As falas colhidas confirmam dois pontos centrais: o caráter pessoal do legado — como mentor e figura paterna — e a dimensão pública da sua contribuição à moda e à representação feminina.
Da apuração in loco e do cruzamento de fontes surge a narrativa limpa dos fatos: abertura antecipada da câmara ardente, filas constantes de visitantes, coroas oficiais, e depoimentos que sublinham a combinação entre perda afetiva e reconhecimento histórico. A realidade traduzida é esta: um homem que construiu um legado amplo, agora objeto de despedida pública e de reflexões sobre continuidade e memória institucional.
Continuaremos a acompanhar a sequência de homenagens e eventuais declarações oficiais da Fundação e das instituições envolvidas.






















