Por Stella Ferrari — Em uma decisão que realça trajetórias de liderança no palco europeu, Mario Draghi foi anunciado como o laureado do Prêmio Carlo Magno desta edição, reconhecimento pela sua atuação em prol da unidade do continente. A cerimônia de entrega será realizada, como de costume, no dia da Ascensão, 14 de maio, na histórica Sala da Coroação do Município de Aquisgrana, informou a organização do prêmio.
Armin Laschet, dirigente da CDU e presidente do conselho do prêmio, traçou um perfil objetivo do agraciado: ‘Draghi é ao mesmo tempo um cientista e um gestor’. Nas palavras de Laschet, ele ‘desenvolveu visões europeias’, ‘salvou o euro em uma situação dramática’ e teve papel central na estabilização e reforma da Itália quando o país enfrentava crise.
Instituído em 1949 para promover a integração após a devastação da Segunda Guerra Mundial, o Prêmio Carlo Magno leva o nome do soberano franco que unificou grande parte da Europa ocidental. A distinção é decidida por uma comissão de 17 membros e entregue em Aquisgrana, antiga capital do Império Carolíngio.
Nos anos recentes, o prêmio tem destacado perfis que marcaram o debate público europeu. Em 2025 a premiada foi a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Em 2024 o reconhecimento foi concedido ao Rabino Chefe Pinchas Goldschmidt e às comunidades judaicas na Europa. Em 2023, o laureado foi o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Entre outros vencedores figuram o falecido Papa Francisco, o presidente francês Emmanuel Macron e o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.
Em um vídeo transmitido durante o anúncio, Mario Draghi expressou profunda gratidão pelo reconhecimento. Advertiu que a Europa ‘talvez nunca tenha tido tantos inimigos como hoje, tanto internos quanto externos’. A mensagem foi clara: ‘Devemos superar nossas fraquezas autoinfligidas. E devemos nos tornar mais fortes: militarmente, economicamente e politicamente.’
Como estrategista econômica, interpreto as palavras de Draghi como um chamado à recalibração. A integração europeia exige não apenas solidariedade política, mas também uma engenharia fina de políticas — calibragem de juros onde aplicável, coordenação fiscal que evite freios desnecessários e investimentos que mantenham o motor da economia em marcha. Fortalecer capacidades militares e diplomáticas complementa a defesa da estabilidade econômica.
O prêmio a Draghi simboliza, portanto, um reconhecimento duplo: das decisões técnicas que contribuíram para estabilizar o euro e das escolhas de gestão pública que procuraram reformar estruturas nacionais. Para quem acompanha o compasso dos mercados e desenha estratégias de alto desempenho, trata-se de um sinal de que a Europa continua em busca de uma arquitetura política e econômica capaz de resistir a choques externos e a tensões internas.
O reconhecimento em Aquisgrana reforça também o papel histórico do continente: integrar para garantir resiliência. Em tempos de incerteza, a liderança que combina visão técnica e capacidade gerencial, como a representada por Mario Draghi, permanece essencial para a aceleração das tendências que preservem estabilidade e crescimento.






















