Por Alessandro Vittorio Romano – A cidade respira diferente quando nos permitimos um gesto simples: um abraço. Celebrado em vários países no dia 21 de janeiro, o Dia Mundial do Abraço nos lembra que o toque é mais do que afeto; é uma linguagem antiga do corpo que aquece, protege e ajuda a viver melhor.
Pesquisas recentes, incluindo um estudo publicado na revista Trends in Cognitive Sciences e conduzido por equipes que envolvem pesquisadores italianos, aprofundam a ideia de que o abraço tem uma dimensão termossensorial capaz de alterar a nossa experiência emocional. Laura Crucianelli, professora de Psicologia na Queen Mary University de Londres, e Gerardo Salvato, da Universidade de Pavia, descrevem como o encontro de dois corpos cria uma pequena aliança de sinais táteis e térmicos que dissolve momentaneamente o limite entre o ‘eu’ e o ‘outro’, reforçando nossa sensação de pertença.
O calor do toque, lembra Crucianelli, é um dos sentidos mais primordiais: o sentimos no ventre materno, nas primeiras trocas de cuidado e sempre que alguém nos envolve em um abraço. Esse sinal térmico, somado ao estímulo tátil, aumenta nossa consciência corporal e desencadeia processos neuroendócrinos que favorecem o bem-estar, como o aumento da liberação de oxitocina e a redução do estresse fisiológico.
Não é só poesia: a ciência clínica e a psicologia mostram efeitos mensuráveis. Relatos e revisões citados por especialistas do Humanitas Gavazzeni, incluindo a psicóloga Agnese Rossi, apontam que abraços podem fortalecer o sistema imunológico, proteger contra resfriados e reduzir fatores de risco cardíaco. O gesto ativa neurotransmissores e hormônios que suavizam a ansiedade, aliviam tensões musculares e permitem uma entrega que reduz rigidez emocional.
Pensar no abraço como uma pequena colheita de hábitos sensoriais abre caminhos práticos. Compreender como os sinais pele-cérebro funcionam pode ajudar a identificar vulnerabilidades emocionais e inspirar intervenções sensoriais para a saúde mental. Em tempos em que a cidade parece mover-se no ritmo de uma respiração acelerada, o abraço representa uma pausa, um reencontro com ritmos corporais mais primitivos e restauradores.
Como guardião do cotidiano italiano, observo que este gesto simples floresce tanto nas praças quanto nas casas: é a curva que aproxima famílias, a troca que acalma profissionais exaustos, o enlace que dá ao idoso a sensação de ainda pertencer. O abraço, em sua elegância cotidiana, ensina que o bem-estar brota também da proximidade, do calor compartilhado, da intuição de que não estamos sozinhos.
Para celebrar o Dia Mundial do Abraço, convide alguém a se aproximar — com respeito e consentimento — e sinta como esse gesto pode ser um mapa sensorial rumo a maior equilíbrio. É uma pequena terapia gratuita, que aquece o coração e fortalece o corpo, um lembrete de que nossos corpos guardam muitas respostas na textura do contato.






















