Apuração in loco e cruzamento de fontes técnicas: a autópsia realizada no Instituto de Medicina Legal da Universidade La Sapienza, em Roma, confirmou as circunstâncias mais duras do crime que vitimou Federica Torzullo, assassinada na casa do casal em Anguillara Sabazia, província de Roma.
O exame cadavérico, conduzido no obituário do instituto, apontou que a vítima sofreu 23 facadas — das quais quatro foram defensivas nas mãos e 19 atingiram pescoço e rosto. Além das perfurações, o corpo apresentou sinais de queimadura no rosto, pescoço, braços e na região superior do tórax.
Segundo os laudos preliminares consultados, o cadáver estava mutilado na altura do abdome, do púbis e dos membros inferiores; o membro inferior esquerdo foi completamente amputado. O tórax exibiu compressão compatível com ação da caçamba de uma escavadeira, descrita nos relatórios como “ação a colher” da benna-scavatrice.
As informações oficiais indicam que o principal suspeito, o marido da vítima, Claudio Agostino Carlomagno, é acusado de feminicídio e de ocultação de cadáver. Após o homicídio, ele teria tentado desmembrar o corpo e atear fogo, antes de enterrá-lo numa fossa cavada em terreno pertencente à empresa familiar de movimentação de terra.
O procedimento pericial foi acompanhado por equipes técnicas indicadas pelos polos processuais: a Dra. Benedetta Baldari atuou pelo Ministério Público; o professor Giulio Sacchetti integrou a equipe técnica da defesa; o professor Gino Saladini representou a parte civil, na qualidade de assistente do filho; e o Dr. Antonello Cirnelli atuou também em nome dos pais da vítima como assistente técnico.
Em decorrência dos fatos e das relações familiares envolvidas, houve repercussão imediata na administração local: Maria Messenio, assessora de Segurança e Legalidade do Comune di Anguillara Sabazia — identificada como mãe do acusado — apresentou sua demissão, conforme atualização oficial obtida durante a apuração.
O conjunto de evidências periciais — do padrão e localização das lesões cortantes às queimaduras e à mutilação mecânica — será integrado ao inquérito em curso para reconstrução cronológica e dinâmica do crime. A investigação seguirá com exames complementares, entre eles toxicologia, análise de eventuais vestígios de combustão e perícias na maquinaria e no terreno onde o corpo foi ocultado.
Como correspondente com longa vivência em procedimentos criminais na Itália, ressalto a necessidade de cautela na circulação de hipóteses até que as provas técnicas complementares sejam concluídas e validadas em juízo. A realidade traduzida pelos laudos, contudo, já traça um quadro técnico e friamente inequívoco da violência empregada contra Federica Torzullo.
Seguiremos com a cobertura factual e com o aporte de documentos oficiais assim que liberados pelas autoridades judiciárias e policiais.






















