Por Giuseppe Borgo — Em um encontro de forte valor político e estratégico, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, recebeu em Tóquio a presidente do Conselho italiano, Giorgia Meloni, para consolidar um vínculo que a delegação italiana descreve como além da mera diplomacia. O bilaterale ocorreu no Kantei, residência oficial da premier japonesa, no contexto das comemorações dos 160 anos das relações diplomáticas entre Itália e Japão.
Meloni abriu o diálogo lembrando que a viagem não é fruto do acaso, mas de uma opção política deliberada: “Esta é a terceira vez que venho ao Japão em três anos de governo”, afirmou, enfatizando a continuidade no trabalho direto e nos encontros bilaterais. A presidente do Conselho ressaltou ainda ser a primeira líder europeia a visitar o país desde a posse de Takaichi, um dado que reforça a prioridade que Roma atribui à relação com Tóquio.
No tom que marca sua atuação, Meloni enquadrou a parceria como uma aliança baseada em confiança e visão comum, com a ambição de “elevar ainda mais as relações bilaterais para um parceria estratégica especial”. Do outro lado, Takaichi qualificou a visita como “uma oportunidade única” para reafirmar o histórico relacionamento e consolidar o fortalecimento do partenariado.
Os principais temas internacionais estiveram no centro do encontro: a necessidade de cooperação estreita entre países que compartilham diagnósticos semelhantes sobre grandes desafios globais. Foram debatidos os cenários da Ucrânia, do Oriente Médio e do Indo-Pacífico, com compromissos conjuntos para trabalhar por uma paz justa e duradoura e por estabilidade nas áreas mais expostas a tensões.
Meloni também reiterou, em mensagem enviada à conferência de apresentação da Política Ártica Italiana, que o Ártico tornou-se um quadrante estratégico nas relações internacionais, exigindo atenção crescente da União Europeia e da NATO. Para a líder italiana, é preciso desenvolver uma presença coordenada capaz de prevenir tensões, preservar a estabilidade e responder a interferências de outros atores.
Na dimensão econômica — um dos alicerces desta construção bilateral — as duas líderes adotaram uma declaração conjunta em que defendem um “ordem econômica livre e justa” e o fortalecimento da segurança econômica. Comprometeram-se a cooperar nas cadeias de abastecimento, nas matérias-primas críticas e na resiliência industrial, manifestando preocupação com formas de coerção econômica e práticas não competitivas, como restrições às exportações que possam distorcer mercados.
O tom do encontro, embora institucional, teve claro impacto prático: trata-se de construir pontes que protejam interesses estratégicos e econômicos dos cidadãos, migrantes e empresas que operam entre os dois países. A agenda simboliza uma arquitetura de cooperação que, nas palavras de Meloni, busca derrubar barreiras burocráticas e reforçar os alicerces da lei internacional.
Em suma, a visita reforça uma ligação que pretende transcender cerimônias protocolares e virar ferramenta concreta de política externa — uma ponte entre nações capaz de traduzir decisões de Roma e Tóquio em segurança, oportunidades econômicas e previsibilidade para quem vive e trabalha nessa via de mão dupla.





















