Australian Open 2026 atravessa uma primeira semana marcada por problemas físicos e um surto de saúde que afeta dezenas de jogadores. Após apenas dois dias de competição, o torneio em Melbourne transformou-se em uma sucessão de lesões, desistências e episódios de mal-estar, com sinais claros de que a preparação de muitos atletas chegou ao Major em condições inferiores ao ideal.
O levantamento de campo e o cruzamento de fontes indicam que vários tenistas desembarcaram na Austrália com rendimento estimado em torno de 70% de sua forma atlética. Entre as causas apontadas estão um período de pausa demasiado curto entre temporadas e um calendário que muitos profissionais classificaram como exaustivo. A mesmo tempo, as altas temperaturas em Melbourne e um suspeito vírus intestinal têm agravado quadros de cãibras e desidratação.
Jogadoras e jogadores de ponta não escaparam. Aryna Sabalenka segue em quadra gerindo um problema no ombro, Novak Djokovic entrou no torneio com limitações físicas e Taylor Fritz lida com uma tendinite no joelho. Esses casos ilustram que não se trata apenas de avaliações médicas rotineiras, mas de um conjunto de sinais de alerta que podem alterar o desenho do torneio.
O episódio mais doloroso para o público italiano foi a eliminação precoce de Flavio Cobolli. O jovem de 23 anos, cabeça de chave número 20, foi derrotado no primeiro confronto pelo britânico Arthur Fery depois de ser acometido por uma violenta enterite pouco antes da partida. Cobolli descreveu a experiência como extremamente debilitante, com fortes dores abdominais, vômitos e total ausência de energia.
Não se trata de um caso isolado. Entre os jogadores afetados cita-se o italiano Luciano Darderi e o francês Hugo Gaston, este último visivelmente comprometido durante o duelo contra Jannik Sinner. A somatória de sintomas — vômitos, dores estomacais, cãibras e desidratação — reforça a hipótese de um problema de origem viral propagando-se no complexo esportivo, em combinação com o calor extremo.
A lista de competidores em dificuldade inclui ainda Barbara Krejcikova, que deixou a quadra em lágrimas durante um timeout médico; Lorenzo Musetti, que chegou a cancelar um jogo-treino; Jessica Pegula, que entrou em partida com uma faixa visível na coxa e mobilidade reduzida; e Katrina Stakusic, que precisou ser retirada em cadeira devido ao calor. O anfitrião Thanasi Kokkinakis também se retirou por problemas no ombro e no peitoral, apesar de tentativas de permanecer em quadra.
Na análise técnica, os elementos são objetivos: um calendário sobrecarregado combinado com condições ambientais adversas e a circulação de um agente gastroenteral formam um cenário que exige resposta rápida da organização e cautela das equipes médicas. A apuração junto a fontes do circuito e a observação dos casos clínicos apontam para medidas de suporte — hidratação reforçada, protocolos de isolamento quando necessário e monitoração contínua dos atletas — como prioridade imediata.
O impacto esportivo é direto: partidas de alto nível comprometidas, possíveis ausências de cabeças de chave nas fases finais e um torneio cujo resultado pode ser influenciado mais por variáveis físicas do que por superioridade técnica. A recomendação é acompanhar atualizações médicas oficiais e o desenrolar dos próximos dias, quando a organização deverá divulgar ações preventivas e estatísticas consolidadas sobre o surto.
Em resumo, o Australian Open de 2026 vive, nos primeiros dias, um momento de instabilidade que alia infortúnios, problemas físicos crônicos e um provável vírus intestinal— fatores que exigem clareza nas informações e rigor na gestão de saúde dos atletas.






















