Por Giuseppe Borgo — Em discurso na cerimônia de inauguração de L’Aquila como Capitale italiana della Cultura 2026, o Presidente da República, Sergio Mattarella, reafirmou que a cultura é o “motor e o colante da civilização” e o principal instrumento para a convivência, o diálogo e, portanto, a paz. A mensagem foi dirigida a uma plateia que incluía autoridades nacionais e locais, entre elas o ministro della Cultura, Alessandro Giuli, e o ministro dell’Economia, Giancarlo Giorgetti.
Mattarella não poupou realismo ao listar as fontes de inquietação do presente: das guerras que espalham morte e devastação à persistente vontade de domínio sobre outros povos, até o reaparecimento de “strategie predatorie” que se imaginavam sepultadas no século XX. Diante dessa conjuntura, o Presidente defendeu que é preciso permitir que a cultura se desenvolva, se faça caminho e deixe traços duradouros. “Investir em cultura significa investir na comunidade, no desenvolvimento da consciência civil; significa investir em democracia”, disse.
O chefe do Estado valorizou também o impacto econômico da cultura, lembrando que o setor traz benefícios diretos à economia local e nacional. E apontou para um foco estratégico: as aree interne do país. São esses territórios, afirmou, que podem garantir desenvolvimento equilibrado se receberem atenção nas políticas públicas, sobretudo quando as novas tecnologias forem utilizadas para conectar localidades remotas, torná-las mais habitáveis e abrir portas a modos de produção e vida mais sustentáveis.
Ao mesmo tempo, Mattarella sublinhou que a transição tecnológica e social deve preservar e atualizar os valores humanos e civis, frutos de conquistas e sacrifícios. Há, segundo ele, uma tarefa pública de enfrentar exclusões, marginalidade e os desequilíbrios territoriais e ambientais para reforçar a coesão e a unidade nacional. Essa metáfora da construção de direitos — onde cada investimento cultural é um tijolo na obra comum — percorreu todo o seu discurso.
Voltando-se para a história recente de L’Aquila, o Presidente recordou o devastador terremoto de 2009 e afirmou sua convicção de que o título de Capitale della Cultura contribuirá a completar a obra de ricostruzione e o relançamento pleno da cidade: “uma obra de sucesso que pertence sobretudo aos seus cidadãos e interessa a todo o país”.
Mattarella rememorou ainda o papel simbólico da Perdonanza e o pronunciamento do Papa Francisco em 2022, que chamou L’Aquila de “capital do perdão” — e, por extensão, de paz e reconciliação. “Há muita necessidade desta semente no mundo em que vivemos”, disse, lembrando que a cultura é recusa a qualquer força hostil que comprima o humanismo.
Por fim, o Presidente deixou um apelo prático: que as artes, os espetáculos e as iniciativas educativas e sociais encham com sabedoria os vazios desta mudança de época, criando oportunidades, gerando confiança e reinserindo-a na comunidade. Em termos de cidadania, a mensagem foi clara — derrubar barreiras burocráticas e reforçar os alicerces da lei passa por investir naquilo que une, informa e forma: a cultura.






















