O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, anunciou que o novo decreto de segurança do governo deverá estar pronto até o fim de janeiro e seguirá para o Conselho de Ministros. A direção e os prazos foram definidos pelo próprio ministro, que descreveu o pacote como fruto do trabalho técnico recente do Viminale, com propostas maturadas a partir das experiências mais recentes de violência juvenil.
Segundo Piantedosi, o texto está em “bom estado de maturação” e terá uma fase de concertação a Palazzo Chigi entre os ministérios envolvidos antes de ser enviado ao governo, onde, acredita, será aprovado “presumivelmente até o fim do mês”. Ainda está em aberto a possibilidade, apontada por fontes, de que as normas sejam distribuídas em dois atos distintos — um decreto e um projeto de lei.
O pacote volta a ganhar urgência diante de episódios recentes: o assassinato de um jovem no interior de uma escola em La Spezia, cometido por outro adolescente, e o ataque a um estudante de 17 anos em uma escola do Frusinate. Esses episódios reforçam o tom das declarações ministeriais sobre a necessidade de medidas rápidas para enfrentar as baby gang e a circulação de armas brancas entre menores.
Entre as medidas já anunciadas pela primeira-ministra e que podem fazer parte do novo texto está a ampliação da restrição ao porte de objetos cortantes por menores. Mas fontes do interior do governo indicam que o provimento poderá conter ações mais amplas, com foco na criação de zone a vigilanza rafforzata e intervenções específicas contra grupos juvenis violentos — estruturas pensadas para reforçar os alicerces da lei onde há maior degradação social e segurança.
O ministro destacou que além dos instrumentos de controle tradicionais, “é preciso atuar sobre a cultura e a educação” dos jovens, estimulando o senso de responsabilidade: “Não bastano i sistemi di sicurezza: bisogna intervenire anche sulla cultura, sull’educazione”. É a proposta de combinar medidas de ordem pública com políticas de prevenção e educação, como se construísse uma ponte entre as instituições e os cidadãos mais jovens.
O titular da Educação, Giuseppe Valditara, defendeu uma medida concreta e imediata: permitir que, nas escolas mais a risco, os diretores, em acordo com o Prefetto, possam instalar metal detector. A proposta busca dar aos dirigentes escolares ferramentas para reduzir incidentes, sem que isso substitua ações educativas de longo prazo.
Do lado da Igreja, o secretário de Estado vaticano, cardeal Pietro Parolin, pediu ênfase nos valores e na educação: “Serve più educazione e valori; le misure di sicurezza non sono sufficienti”. A declaração ressalta o equilíbrio entre prevenção cultural e medidas de ordem pública.
Nas bancadas opositoras, a reação foi dura. Os capigruppo do PD, Chiara Braga e Francesco Boccia, classificaram a segurança como “o símbolo do fracasso do governo”, enquanto o Movimento 5 Stelle e outras vozes da oposição mantêm forte crítica ao Executivo. A Lega, por sua vez, pressiona pela aceleração: “Il pacchetto sicurezza è urgente”, dizem fontes do partido, que pedem aprovação imediata.
Resta acompanhar se o governo optará por um texto enxuto focado em medidas contra menores com armas brancas ou por um decreto mais estruturado, com zonas de vigilância reforçada e dispositivos para escolas. Em qualquer caso, a iniciativa se configura como parte da arquitetura legislativa do atual Executivo — mais um alicerce ou mais um sintoma de fragilidade, conforme a ótica política — e a sua aprovação marcará o peso da caneta na construção de direitos e segurança para a juventude italiana.






















