Sou Alessandro Vittorio Romano, e observo como o ambiente molda a saúde cotidiana — hoje trago uma notícia que soa como um aviso urgente nas estações da pele: um estudo publicado em Science Advances demonstra que o uso regular de camas de bronzeamento quase triplica o risco de desenvolver melanoma, o tipo mais letal de câncer de pele.
A investigação nasceu também da história de Heidi Tarr, 49 anos, que na adolescência frequentava o solário várias vezes por semana em busca daquela pele mais escura. Aos 30 anos ela recebeu o diagnóstico de melanoma e, anos depois, ajudou os cientistas doando um fragmento de pele quando sua filha, influenciada por vídeos virais, perguntou como obter linhas de bronzeado. É a respiração íntima das escolhas humanas transformando-se em evidência clínica.
O grupo liderado pelo dermatologista Pedram Gerami, da Northwestern University, comparou dados clínicos de cerca de 3.000 usuários de camas de bronzeamento com um grupo controle da mesma faixa etária. O resultado foi claro e cortante como um raio de sol: o melanoma foi diagnosticado em 5% dos frequentadores de solário, contra 2% no grupo controle. Após ajustar por fatores como idade, história de queimaduras solares e antecedentes familiares, o risco estimado ficou em 2,9 vezes maior entre os usuários.
Não é só estatística: as análises genéticas de 182 biópsias mostraram que os melanócitos — as células de onde nascem os melanomas — apresentam quase o dobro de mutações do DNA em sujeitos expostos artificialmente aos raios ultravioleta. Como observou Gerami, quando grande parte da pele já está danificada, basta pouco para que o quadro evolua para melanoma. Bishal Tandukar, coautor do estudo, acrescenta uma imagem inquietante: usuários na faixa dos 30-40 anos exibem carga mutacional semelhante à de pessoas de 70-80 anos da população geral.
Dados da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC) relembram que mais de 80% dos melanomas comuns estão ligados à exposição aos raios ultravioleta, naturais ou artificiais. Em 2022, o melanoma causou quase 60.000 mortes no mundo. O IARC classifica as camas de bronzeamento no nível máximo de risco, lado a lado com tabaco e amianto.
Alguns países já reagiram: Austrália e Brasil proibiram o uso, Reino Unido e França vetaram o acesso a menores de 18 anos, e nos Estados Unidos as regras variam por estado. Gerami defende que, no mínimo, deveriam ser proibidas para menores. Heidi Tarr, olhando para a filha e para outras adolescentes seduzidas por tendências digitais, resume com simplicidade e firmeza: não as usem.
Como alguém que vê o corpo humano como uma paisagem que muda com as estações, penso que estamos diante de um inverno precoce para a pele daqueles que escolheram o brilho artificial: a colheita de hábitos impõe consequências. Se o sol da vida pede cuidado, a luz fabricada em cabines exige precaução redobrada. Para quem busca um bronzeado, há caminhos mais suaves — e menos arriscados — que preservam as raízes do bem-estar.






















