Olá, Ciao — sou Erica Santini, sua curadora de viagens, e hoje convido você a navegar comigo pelo céu das conexões. Enquanto a aviação reinventa-se entre combustíveis verdes e sonhos supersónicos, há uma revolução mais próxima do passageiro: o Wi‑Fi a bordo de alta velocidade, impulsionado pela Starlink. Andiamo — vamos descobrir quem serve esse aperitivo digital a bordo e quem prefere o silêncio das nuvens.
Longe ficou a era em que colocávamos o telemóvel em modo avião e nos rendíamos a um livro durante toda a viagem. Hoje, o prazer do Dolce Far Niente convive com a vontade de estar conectado: ver séries em alta definição, trabalhar com videochamadas, ou simplesmente partilhar uma paisagem dourada pela janela. Muito desse conforto vem da internet por satélite da Starlink, braço da SpaceX que criou uma verdadeira malha global de satélites.
Mas como isso funciona, na prática? A diferença está na órbita. Em vez dos satélites tradicionais, a milhares de quilômetros, a Starlink usa satélites em órbita terrestre baixa. Os dados viajam para um dos milhares de satélites — atualmente mais de 6.750 em órbita — e daí para uma antena receptora instalada dentro da aeronave. A menor distância reduz a latência: enquanto satélites convencionais podem ter cerca de 600 ms, a Starlink opera próximo dos 25 ms, tornando videochamadas e streaming muito mais suaves.
O projeto começou em 2019 com lançamentos regulares, um lançamento beta em 2020, e a sua adoção a bordo de aviões acelerou a partir de 2024. A pioneira entre as grandes companhias foi a Hawaiian Airlines, que integrou o serviço em toda a sua frota até outubro de 2024. Logo depois, a Qatar Airways iniciou implementações semelhantes, e hoje já há cerca de 120 aeronaves equipadas com Starlink.
Na Europa, a letã airBaltic foi a primeira a estrear o sistema, em fevereiro de 2025. Em seguida, nomes conhecidos como Air France e SAS lançaram a tecnologia ao longo do ano passado, oferecendo aos passageiros uma experiência de bordo mais conectada e fluida.
Mais recentemente, o Grupo Lufthansa anunciou uma parceria com a Starlink, com planos para instalar o serviço em toda a sua frota a partir da segunda metade de 2026 — uma notícia que promete transformar longos voos europeus e intercontinentais em jornadas produtivas e prazerosas. No Reino Unido, a Virgin Atlantic deverá ser a primeira a operar com Starlink a partir do terceiro trimestre de 2026.
Para os passageiros, a boa notícia é que muitas companhias têm disponibilizado o Wi‑Fi a bordo gratuitamente; noutras, é necessário ser membro do programa de fidelidade — também, muitas vezes, gratuito — para aceder ao serviço. Em suma, a conectividade deixou de ser luxo e tem-se tornado comodidade valorizada por quem viaja.
Mas nem todos os players seguem essa tendência com o mesmo entusiasmo. Algumas companhias demonstraram reservas quanto ao investimento imediato em internet por satélite, preferindo avaliar custos, prioridades operacionais e o retorno para o passageiro antes de adotar massivamente a tecnologia. Esta cautela lembra-nos que cada empresa desenha seu próprio mapa de voo, entre inovação e conservação de recursos.
Se você é daqueles que não abre mão de ver um filme enquanto saboreia o panorama, hoje já existem boas escolhas no ar — e outras que ainda preferem a serenidade das nuvens. Eu, Erica, convido você a escolher sua próxima jornada pensando não só no destino, mas na experiência durante o voo: o sabor do café, a luz sobre a pele e, claro, a qualidade do Wi‑Fi a bordo. Buon viaggio e até o próximo embarque com segredos locais e pequenas grandes sensações.






















