Nem trenó puxado por renas, nem caminhos silenciosos: quem tomou as ruas de Roma foi a alegria sobre duas rodas. Na manhã da 14ª edição da pedalada solidária, ao menos cem ciclistas — crianças, jovens e adultos vindos de várias regiões da Itália e do exterior — vestiram-se de Papai Noel e pedalara m para apoiar os bambini malati acolhidos pela associação Peter Pan ODV.
O encontro teve partida marcada às 9h30 defronte ao Colosseo, e o trajeto percorreu aproximadamente quatro quilômetros por algumas das vias mais emblemáticas da cidade. A iniciativa, que tem o patrocínio da Roma Capitale – Assessorato ai Grandi Eventi, Sport, Turismo e Moda, transformou as ruas em um fio de cor e solidariedade, um pequeno farol que iluminou o coração urbano e convidou a cidade a se unir em apoio aos mais vulneráveis.
A pedalada terminou em Trastevere, diante da Grande Casa di Peter Pan, onde familiares e crianças acolhidas puderam partilhar um momento caloroso de festa: abraços simbólicos, cânticos natalinos e sorrisos que traduziram mais do que alegria — traduziram esperança. Durante o encontro, foram entregues as doações reunidas pela mobilização, recursos destinados a garantir acolhimento e apoio nos dias de festa para quem enfrenta o desafio da doença.
Como curadora de histórias que semeiam transformação, vejo nesta ação a prova de que pequenas luzes, reunidas, fazem um caminho visível. A solidariedade manifestada hoje em Roma é um exemplo prático de como esporte, celebração e compromisso social podem se entrelaçar para oferecer conforto concreto: não apenas presentes ou entretenimento, mas presença, cuidado e acalanto para famílias em um período especialmente sensível.
Roberto Mainiero, presidente do Peter Pan ODV, ressaltou a importância de gestos coletivos que não deixam as famílias sozinhas no Natal. Segundo ele, a biciclettata representa um sinal tangível de apoio tanto para as crianças vítimas da doença quanto para os voluntários e profissionais que as acompanham no dia a dia.
A iniciativa confirma o vigor da solidariedade cidadã e o vínculo afetivo da capital com ações natalinas que combinam festa e responsabilidade. Em tempos em que é cada vez mais necessário cultivar redes de proteção e afeto, este encontro pedalante iluminou novos caminhos: trouxe recursos, escuta e um horizonte mais límpido para famílias que atravessam um momento difícil.
Ao final do dia, entre notas de canções tradicionais e o som ritmado das bicicletas, a sensação foi de que cada ciclo dado pela cidade foi também um gesto de acolhimento. A imagem dos Papais Noéis sobre duas rodas permanece como metáfora viva de uma cidade que escolhe semear humanidade — e que, por isso, continua a construir um legado de cuidado e esperança.






















