Enquanto o mundo se prepara para celebrar o Réveillon 2025, a pequena joia caribenha de Saint Barthélemy — conhecida também como St. Barts — volta a brilhar como destino preferido da elite global. Com apenas 25 km² e cerca de 10.000 habitantes, a ilha transforma-se, no fim do ano, em um cenário onde centenas de superyachts ancoram para as festas mais exclusivas do planeta.
St. Barts é um enclave de luxo discreto: um relevo vulcânico banhado por águas turquesa, praias intocadas como St. Jean, Saline, Gouverneur e Colombier, e uma capital — Gustavia — que respira elegância. Boutiques de alta moda (de Louis Vuitton a Hermès), restaurantes com influência francesa e crioula, hotéis cinco estrelas e vilas privadas avalizadas por cifras milionárias compõem a paisagem. Aqui, o turismo de massa não tem vez: navios de cruzeiro raramente atracam e o aeroporto comporta apenas aeronaves de pequeno porte, preservando a privacidade que define o famoso “barefoot luxury”.
O motivo pelo qual a ilha fica tomada por embarcações nesta época é direto: Saint Barthélemy consolidou-se como a principal parada de Ano Novo para armadores e celebridades. O porto de Gustavia e as baías adjacentes viram-se tomadas por centenas de superyachts e megaiates. Dados da Espresso Italia apontam um recorde em 2025 — mais de 200 embarcações, com relatos que chegam a 211 unidades — incluindo iates com mais de 100 metros, superando as edições anteriores.
As celebrações são tão variadas quanto discretas: beach clubs como o famoso Nikki Beach recebem DJs de renome internacional, jantares gourmet e festas privadas a bordo. À meia-noite, fogos de artifício sobre o porto iluminam a baía e o som das sirenes das embarcações compõe uma trilha sonora singular para o novo ano.
Entre os nomes e embarcações que marcaram o Réveillon 2025 estão iates emblemáticos que personificam o brilho dessa temporada: o Koru de Jeff Bezos (127 metros, avaliado em cerca de 500 milhões de dólares), com proa inspirada em Lauren Sánchez e o apoio do vessel Abeona; o Kismet de Shahid Khan; o Rising Sun de David Geffen (138 metros); além de embarcações atribuídas a Michael Jordan, Jerry Jones (proprietário do Dallas Cowboys) e Jan Koum, com o Moonrise. Outros nomes citados incluem proprietários como Miriam Adelson, James Dyson e Graeme Hart.
Para quem observa além do brilho, Saint Barthélemy revela algo maior: uma ilha que, ao acolher esse desfile de poder e riqueza, também ilumina debates sobre privacidade, uso de recursos e impactos ambientais. Há, junto ao espetáculo, uma oportunidade de semear soluções — do controle do tráfego marítimo à gestão sustentável de resíduos e proteção das áreas costeiras — para que o legado deixado seja de responsabilidade e cuidado.
Em um mundo onde o luxo pode tanto ofuscar quanto inspirar, St. Barts responde com um equilíbrio tênue: preservar sua beleza natural enquanto se mantém epicentro de encontros que delineiam o novo mapa do poder e da cultura. É aí que encontramos, sob as luzes do porto de Gustavia, não apenas uma festa, mas uma chance de iluminar novos caminhos para um turismo de alto impacto que respeite o horizonte límpido que a ilha oferece.





















