Foi inaugurado em Casalecchio di Reno o Pitagora, o novo supercomputer italiano dedicado à pesquisa em fusão nuclear. A cerimônia, realizada no centro do Cineca e marcada pela presença dos ministros Anna Maria Bernini e Gilberto Pichetto Fratin, reforça um investimento estratégico da Europa na transição energética.
Financiado pelo consórcio europeu EUROfusion e gerido pelo Cineca em colaboração com a ENEA, o sistema entrega 27 petaflops por segundo (27 PFlop/s), capacidade suficiente para colocá-lo entre os 50 supercomputadores mais potentes do planeta. A máquina foi desenvolvida pela Lenovo e monta uma arquitetura de mais de 1.000 servidores com 670 GPUs NVIDIA H100, interligadas por rede InfiniBand NDR, somando cerca de 260.000 cores e 20 petabytes de armazenamento.
O propósito técnico do Pitagora é claro: simular a física do plasma e analisar materiais avançados que serão aplicados nos reatores de fusão. Esses modelos computacionais são fundamentais para validar os dados experimentais coletados pelo ITER, o grande projeto internacional em andamento na França, e para a engenharia da futura planta comercial DEMO. Em termos práticos, o supercomputador funciona como um laboratório virtual onde o comportamento do plasma e a resistência dos materiais são testados antes de serem levados ao protótipo físico.
Do ponto de vista de infraestrutura, a solução de refrigeração por líquido direto Lenovo Neptune permite dissipar até 97% do calor gerado, resultando em um indicador de eficiência energética (PUE) em torno de 1,1 — entre os melhores globalmente. Esses números descrevem não só um salto de capacidade de cálculo, mas também a maturidade das camadas de engenharia que sustentam a atividade científica: alicerces digitais com eficiência térmica e energética comparável ao que se espera de uma infraestrutura crítica.
Alessandro De Bartolo, Infrastructure Solutions Group Leader da Lenovo Itália, destacou que o Pitagora representa mais do que um marco tecnológico — é um compromisso da indústria com a ciência. Francesco Ubertini, presidente do Cineca, afirmou que o projeto consolida a liderança italiana na pesquisa sobre fusão e demonstra como a cooperação entre estado, universidades e indústria produz resultados concretos. Francesca Mariotti, presidente da ENEA, definiu o sistema como um verdadeiro acelerador de progresso, capaz de integrar competências e infraestrutura em prol da sustentabilidade e da competitividade.
O Pitagora sucede o Marconi-Fusion, infraestruturas que, desde 2016, apoiavam a comunidade científica do EUROfusion no Cineca. A novidade é que o novo supercomputador amplia a escala de simulações e reduz o tempo necessário para experimentação virtual — o que, em linguagem de redes e cidades inteligentes, equivale a aumentar a capacidade do ‘sistema nervoso’ da pesquisa europeia.
Em síntese, Pitagora é um nó crítico na arquitetura digital que sustenta a corrida pela energia de fusão: fornece potência computacional, eficiência térmica e integração institucional. Esses elementos combinados aceleram a validação de dados do ITER e a engenharia da DEMO, aproximando a possibilidade de uma fonte energética limpa, estável e praticamente ilimitada para a Europa.





















