NAPÓLES — Um aviso que ecoa pela respiração da cidade: o Hospital Cardarelli, referência em atendimento na região, enfrenta uma grave carência de sangue. O alerta foi lançado por Daniela Graziano, responsável pro tempore pela Medicina Transfusional do hospital, durante participação no programa Campania 24, transmitido pelo Canale 9, em 20 de janeiro de 2026.
Segundo Graziano, o estoque está muito aquém das necessidades: há “muitos pacientes crônicos”, incluindo quem recebe quimioterapia e pacientes com talassemia, além das demandas rotineiras para cirurgias, emergências e casos de traumas rodoviários. Em meio a esta complexa colheita de necessidades, as doações de sangue mostraram-se absolutamente insuficientes.
A especialista explicou que, dentro deste quadro, certos grupos sanguíneos estão ainda mais em falta. São especialmente afetados os tipos Rh negativo e O positivo, ambos menos frequentes na população, o que torna a reserva ainda mais frágil. “Se as doações aumentassem, fisiologicamente cresceria também a disponibilidade desses grupos”, afirmou Graziano, com a serenidade de quem observa os ciclos e sabe que pequenas mudanças na rotina coletiva geram grandes diferenças no bem-estar comum.
Para facilitar e estimular a solidariedade, o Cardarelli disponibilizou um número de WhatsApp (331.6702222) e criou uma página específica em seu site dedicada às informações sobre doação de sangue. A mensagem é clara: doar salva vidas. Graziano lembrou que os napolitanos — como muitos povos do sul — têm uma generosidade ancestral, e que a atual carença de doações é, em grande parte, fruto de desconhecimento.
Como quem cuida de um jardim que precisa de água no momento certo, a campanha de conscientização busca regar a cidade de informações práticas: quem pode doar, quando pode doar, quais cuidados são necessários e onde buscar o atendimento. Cada bolsa de sangue não é apenas um recurso clínico; é a continuidade do ciclo de cuidado entre pessoas, um fio vermelho que liga quem ajuda a quem recebe.
O apelo do Cardarelli é duplo: informar e mobilizar. A instituição destaca que crianças, pacientes em tratamento oncológico, portadores de doenças crônicas e vítimas de traumas dependem diretamente dessa disponibilidade. Doar é um gesto simples, que — em termos humanos — atua como um sol que aquece uma planta no inverno: revigora, permite recuperação e mantém o ritmo da vida hospitalar.
Para quem deseja colaborar, o contato via WhatsApp (331.6702222) é o caminho mais direto, juntamente com a página institucional do hospital, onde estão detalhadas as orientações sobre os critérios de elegibilidade e os locais de coleta. A mensagem final de Graziano soa como um convite: confiar na generosidade e transformar conhecimento em ação.
Enquanto observamos as estações e os ciclos que regem a cidade, lembrar de doar sangue é semear um gesto que pode florescer em salvamentos concretos. Em tempos de necessidade, a saúde coletiva pede que a cidade responda com atenção — e com o abraço prático que só a doação voluntária proporciona.

















