Bolsas europeias voltaram a registrar forte queda nesta terça-feira, em um clima de volatilidade alimentado pelas novas declarações de Donald Trump sobre a disputa em torno da Groenlândia. A reação dos mercados evidencia a sensibilidade do motor da economia global a riscos geopolíticos, com investidores buscando refúgio em metais preciosos enquanto reajustam posições em ações e títulos.
O índice Stoxx 600, que reúne as maiores empresas europeias por capitalização, recuou cerca de 1%. Entre as principais praças, destaque para Milão, que caiu 1,3%; Londres e Frankfurt, ambas com quedas de 1,1%; Paris, com -1%; e Madrid, que recuou 0,9%. Os setores mais penalizados foram o industrial (-1,5%), o tecnológico (-1%) e o luxo (-1,4%). Curiosamente, os papéis da defesa perderam terreno em relação a segunda-feira, invertendo a tendência vista no início da semana.
Nos mercados de renda fixa, os títulos soberanos sofreram pressão, com os rendimentos em alta, reflexo da aversão ao risco que força vendas e reprecificação de prêmios de risco. No câmbio, o dólar continuou a mostrar fraqueza frente às principais moedas: o euro avançou para 1,1719 dólar.
Os investidores direcionaram parte do fluxo para ativos de proteção: o ouro atingiu novo recorde, cotado a 4.729 dólares a onça, enquanto a prata também subiu a um novo pico, a 95,28 dólares. Esses movimentos são típicos de uma calibragem de portfólio em momentos de incerteza, quando os freios fiscais e a incerteza geopolítica reduzem a apetência por risco.
No front político, o presidente norte-americano reafirmou a centralidade do controle dos EUA sobre a ilha ártica, publicando também uma mensagem de agradecimento ao primeiro‑ministro holandês Mark Rutte. A declaração reacendeu temores sobre escaladas diplomáticas que pesam sobre os mercados.
Em Roma, outros fatos políticos nacionais também chamaram a atenção: Riccardo Magi lançou uma campanha para estender o direito ao voto aos jovens de 16 anos. A iniciativa, apoiada por um site de mobilização (voto16.it), prevê encontros e debates por toda a Itália com o objetivo de reunir consenso para alterar o artigo 48 da Constituição antes das eleições de 2027. Magi argumenta que muitas políticas públicas — das pensões ao trabalho, do setor habitacional às questões ambientais — tendem a favorecer faixas etárias mais velhas, deixando os jovens à margem das decisões que moldarão seu futuro.
Também em pauta, a ministra para as Reformas, Elisabetta Casellati, afirmou que o texto sobre o premiato está em segunda leitura na Câmara e que há tempo suficiente para aprová‑lo até o fim da legislatura. Por fim, a Lega deu sinais de comemoração diante das medidas tarifárias anunciadas por Washington, posicionando‑se alinhada com a retórica protecionista recentemente reativada pelo governo dos Estados Unidos.
Em suma, os mercados europeus operaram hoje como um veículo sob uma pista escorregadia: sinais políticos abruptos e incertezas geopolíticas acionaram a frenagem e forçaram uma recalibragem das expectativas. Acompanhar a evolução das declarações diplomáticas e a movimentação dos fluxos para metais preciosos será essencial para entender a próxima fase de aceleração ou retração dos mercados.






















