Davide Lacerenza, ex-proprietário da famosa Gintoneria, voltou ao centro das atenções — e das críticas — após ser fotografado em uma discoteca de Lainate, a Line Club, segurando garrafas adornadas com sparkler (as chamadas fiammelle), as mesmas velas pirotécnicas que estiveram no centro da tragédia de Crans‑Montana.
O episódio reacende memórias dolorosas: no incêndio do clube Le Constellation, em Crans‑Montana, aquela pequena chama foi responsável por um fogo que matou 40 pessoas e feriu 116. Não surpreende que, diante da imagem de Lacerenza circulando entre jovens, muitos seguidores e observadores tenham expressado indignação imediata.
Lacerenza não deixou a controvérsia sem resposta. Em declaração pública, ele disse ter recebido «tantíssimos messaggi» de jovens pedindo que, dado seu alcance nas redes, ele fizesse algo pela sensibilização dos espaços noturnos. Admitiu ainda desconforto e risco: “Tenho medo até de acendê‑las, me queimei a mão, não estou brincando. Olhem, mesmo molhadas continuam funcionando”. O tom é prático; uma calibragem de responsabilidade social, como quem ajusta o motor para não perder desempenho sem comprometer a segurança.
O comentário mais direto — pronunciado em italiano e logo reproduzido nas redes — foi: “Queste fiammelle hanno rotto le balle“. Traduzindo de forma leal ao espírito da fala: essas velinhas já passaram do limite. Lacerenza sugeriu uma alternativa concreta: pequenas luzes LED recarregáveis, que têm custo inicial maior, mas vida útil e segurança superiores. “Não posso dizer ‘use isto ou aquilo’, mas quero dar um input para transformar isso em algo positivo”, afirmou, ressaltando que, nas próximas semanas, pretende visitar várias casas noturnas para promover essa mudança.
É importante lembrar o passado jurídico de Lacerenza: ele patteggiou um acordo no processo que envolveu acusações relacionadas a droga, favorecimento e exploração da prostituição ligadas ao seu antigo estabelecimento, recebendo uma pena equivalente a 4 anos e 8 meses. Foi também determinada a confiscação de um patrimônio superior a 900 mil euros, e em 10 de janeiro foi aberta uma venda judicial colocando à disposição garrafas de prestígio vinculadas ao caso.
Alguns críticos, inclusive veículos como a Repubblica, chamaram atenção para discrepâncias na defesa de segurança apresentada por Lacerenza: a afirmação de que o clube teria “teto a 20 metros” foi posta em dúvida, já que as imagens do local não parecem corroborar essa medida. Em outras palavras, há um debate legítimo entre intenção, percepção pública e rigor técnico na avaliação do risco.
Do ponto de vista de mercado e comunicação — e assumindo a lente de quem observa as forças que movem a economia do entretenimento — a situação de Lacerenza demonstra como reputação, compliance e inovação de produto funcionam como componentes de um mesmo chassi. A substituição de práticas de risco por soluções tecnológicas (a ‘aceleração’ para LEDs) é, além de uma resposta ética, uma manobra estratégica que preserva valor de marca e reduz riscos regulatórios.
Em suma: a imagem nas redes foi um gatilho imediato para críticas, mas também abriu espaço para um posicionamento público de autocorreção e propostas práticas. Resta ver se a proposta de difundir alternativas seguras nas pistas terá tração suficiente para se transformar em mudança estrutural — o tipo de reforma que transforma um motor ruidoso em um bloco bem regulado e eficiente.

















