Por Stella Ferrari — Surge, em meio à movimentação do mercado, uma nova peça na negociação sobre o grupo GEDI: uma proposta formal e vinculante de Andrea Iervolino no valor de 240 milhões de euros, apresentada já em dezembro e que, segundo apurações, permanece válida. Esse montante é 10 milhões superior à oferta atribuída ao conglomerado grego Antenna Group, que vinha sendo apontado como o concorrente principal nas tratativas conduzidas por Exor sob exclusividade.
A proposta de Iervolino, veiculada por sua vehicle TAIC Funding LLC, não é fragmentada: contempla a aquisição de 100% do perímetro industrial e editorial do grupo — jornais, rádios e ativos digitais — sem desmembramentos. Diferentemente da oferta subsequente e pública feita em 12 de janeiro, destinada apenas a La Stampa no valor de 22,5 milhões e prontamente rejeitada em poucos dias, a oferta integral divulgada agora não teria prazo de caducidade rigoroso, o que a torna um elemento de pressão e de negociação no tabuleiro.
No mesmo cenário, multiplicaram-se rumores sobre a presença de outros investidores. Circulou informação sobre um lance de Leonardo Maria Del Vecchio — filho do fundador da Luxottica — de cerca de 140 milhões em dezembro, também recusado por John Elkann. Posteriormente, Del Vecchio entrou no capital de Il Giornale com 30%. Houve ainda boatos sobre uma proposta de 50 milhões destinada apenas à Repubblica em favor dos gregos, retratada de imediato pelo grupo como inverídica: “Não, nenhum novo rilancio in vista”.
O conjunto de ofertas, contrapesos e silêncios institucionais dá a impressão de que a partida continua aberta. A exclusividade de negociação entre Exor e o Antenna Group está prevista para expirar no fim de janeiro, e a existência de uma oferta formal superior no tabuleiro sugere que as regras da disputa ainda podem ser recalibradas.
Sobre a reação de GEDI, há distinções claras: à proposta para todo o grupo, encaminhada por TAIC sob acordos de confidencialidade, não teria sido dada qualquer resposta pública até o momento — nem positiva nem negativa. Em contraste, a oferta pontual de 12 de janeiro para La Stampa foi oficialmente rejeitada, com a decisão de tratar exclusivamente com NEMeSAE sobre aquele ativo.
As origens do veículo financeiro de Iervolino e a composição exata do consórcio que o apoiaria continuam opacas: fontes indicam uma coalizão de duas instituições bancárias, fundos e investidores privados baseados na Califórnia e na Flórida, sem divulgação de nomes, percentuais ou arquitetura de controle. Do lado grego, o Antenna Group tem estrutura societária complexa; seu acionista de referência, Theodore Kyriakou, provém de família tradicional de armadores e mantém relações internacionais que incluem participações e interlocuções com atores geopolíticos relevantes, como fundos com conexão ao príncipe Mohammed bin Salman.
Em suma, o leilão sobre o controle do grupo GEDI segue com motores ligados e marchas que podem ser trocadas a qualquer instante. Para investidores e observadores do setor editorial, essa sequência de ofertas e contrapropostas exige leitura precisa: é uma prova de que, quando o motor da economia editorial é acionado, as forças de mercado respondem com rapidez e com necessidades finas de calibragem, tanto no desenho de estruturas societárias como na gestão de riscos reputacionais.
Ficarão no radar os próximos movimentos de Exor, o eventual desfecho da exclusividade com os gregos e uma possível resposta formal de GEDI à oferta integral de Iervolino. Até lá, a partida se mantém aberta — um exercício de estratégia, liquidez e governança que exige atenção de alta performance.






















